quinta-feira, 9 de junho de 2016

seus olhos

sua pele
a mesma textura 
que nunca toquei
sua carne
o mesmo gosto cru
que nunca provei
ainda tem a mesma cor
que nunca enxerguei
seu corpo
o mesmo endereço
que eu nunca soube
a mesma voz
que eu nunca ouvi

sua cama
os mesmos lençóis
que você nunca trocou
onde eu nunca deitei
suas meias
as mesmas cores
as mesmas dúvidas
seu sorriso
o mesmo formato
seus olhos o mesmo adeus
que nunca tivemos
seus olhos o mesmo amor
que nunca tiveres
seus olhos o mesmo encanto
que nunca esqueci
seus olhos
o mesmo mar onde morremos

seus olhos
apenas os olhos
e uma dor
a minha
que nunca passou

quinta-feira, 19 de maio de 2016

sinceras mentiras

quando em sua cama, nua, não mentirei
mais das mentiras cruas
ao som dos fôlegos suplicantes,
ecoando entre os lençóis da nossa carne,
que um dia resolvi contar

entre os goles dos nossos beijos,
já não guardarei mais os segredos
que um dia jurei nunca mais esconder

se hoje me vês nua
com seus joelhos em minhas costas
e os gemidos em seu ouvido
é porque me entreguei toda aos seus suplícios
que lutavam contra mim todas as noites

se hoje me vês agora
vestida ou despida
é porque não há mais nenhuma despedida
que me faça encerrar o contrato

quando nua em sua cama,
não adicione drama à nossa querida trama
aceite alguns beijos roubados
e durma em paz ao meu lado
que a minha pele dolorosa

já não mente mais.