quarta-feira, 21 de outubro de 2015

esquemas dilemas versos ou problemas

não entenda nos meus beijos um problema
que os músculos dos teus ósculos não solucionarão
nenhum deles

não entenda no meu silêncio algum esquema
porque já estou nessa durante alguns anos
e meus problemas já tão velhos
minhas gavetas já lotadas
e as araras cheias de roupas penduradas
ainda que não me sirvam mais

não entenda na minha poesia algum dilema
que minha escrita é liberdade
é passarinho azul que eu deixo cantar
na rua ou em casa
debaixo de lençóis ou nos jornais

não entenda os meus versos
a minha alma quem resolve é a minha pele
e meu corpo quem resolve é minha alma

então
não me entenda só por esquemas,
dilemas, versos ou problemas
porque sou muito mais do que esqueço
muito menos do que pareço
e muito mais onde pertenço

sou, talvez, sozinha no mundo
e silêncio qualquer
sou, talvez, sozinha em tudo
ainda mais quando mulher.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

saudade com você do lado

tenho saudade, mesmo com você dormindo
saudade de quando eu tinha ritmo
pra recolher os cacos dos vãos

saudade dos dias corridos
de tropeçar meus lábios em seu umbigo
e nunca soltar da tua mão

saudade dos versos vividos
de morrer e viver nos teus olhos
e me machucar ao atingir o chão

saudade do teu olhar perdido
que sempre rimou comigo
e terminava noutro dia
versinhos em grão

saudade de ter te escolhido
costas e colchão no chão
aqueles cigarros perdidos
e o seu cheiro impregnando
às minhas mãos

saudades dos táxis pagos
horários amarrados
tremidos e safados
que nunca mais estacionarão

saudade de ter saudade do tempo
que mesmo que pedisse retorno
por mais lindo e etéreo que fosse
para ele eu diria não.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

meio fio

cadela deitada no meio fio
imóvel
uma mulher perdida, uma filha da puta
tentando se encontrar
em algo que não seja eu

você me deixou
e eu sofro ou não
estou cansado de sofrer

eu ordeno
que não me confundas
feche a cortina
eu estou completamente nu

eu preciso ser provocado
mas estou cansado de sofrer

(gabriel f. santos)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Longe da seca humana,
de gente que soa ao dançar. 
Se bates em minha porta, 
espero que possa atender com as mãos que ainda tenho. 
Com as mãos que ainda não me amputaram, 
nem se perderam no meio de tantas outras.
E quero-me sã também para ouvir 
a mais sã das tuas poesias mudas,
ao pé dessa cama,
 “segredos em minha orelha fria"
 e tomar-te aos beijos por semanas