terça-feira, 23 de setembro de 2014

hoje eu não quero descanso (pagodezinho)

hoje eu não quero descanso
eu quero sambar, amor
me leva pra qualquer, eu vou

eu tenho muito amor pra te dar, negô
mas antes peço um samba, por favor

me leva pro samba
me tira a sandália
me pega na roda
me faz ficar tonta
me tira a saia

me leva pro samba
me tira a sandália
me pega na roda
me faz ficar tonta
me tira a saia

hoje eu não quero descanso
eu quero sambar, amor
hoje eu não quero descanso
eu quero amar, negô
me pega no samba
e me leva pra tua casa
e me tira a vergonha
de ter te chamado de amor.


casamento

eu gosto de entrar no teu passo
e desmedir o compasso
que tanto desfaço nos bares
com tanto prazer

eu gosto do som da tua voz
no pescoço
com um rouco louco
que me arrepia o corpo

eu gosto do calor dos teus braços
que me desamarram os laços
que tanto demorei pra fazer

e o cheiro que tem teu cangote
quando dançamos ao léu 
um passo mais solto
mais perto do céu

e gosto de quando me solta
pra antes me apertar e devolver
o meu véu.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

aquele morro que era só subida (nossa casa era no final)

minha casa é na tua cama
um pedaço pequeno pro meu pequeno corpo
um pedaço da tua boca alinhada
quando na minha boca faz morada

minha cama é a tua casa
onde você deita e se desgasta
e nunca dorme comigo brigado,
obrigada!

você é a minha casa
onde escondo minhas lágrimas
minhas mancadas
minhas viroses mais tóxicas
as minhas noitadas

sou a dona das minhas viradas,
mesmo que não sejam de fato adoradas,
sou a tua menina das mãos machucadas
dos pés assados e coração chateado
querendo a atenção do meu homem
sempre tão preocupado

mas, no final das contas,
eu sou a tua namorada.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

argentina

no se lo que hacer
quando sola en mis mano
la cabeza un pensamiento extraño
no puedo estar en las calles
en las estrellas
no es dulce el cielo de lecho
el cielo es lejo
el cielo no es mío,
tampoco tu.

sábado, 31 de maio de 2014

tre metri sopra il cielo

queria que comigo estivesses
nesse quarto em breu sereno
sentindo a brisa tocar tua pele
comigo dividir um cigarro
impressionado pela madrugada
quando alguém acende a luz

queria que comigo estivesses
em silêncio
dançando de mansinho
apenas pra sentir que sou a tua

queria que comigo estivesses
assim, tu em tolice alguma embarcaria
pois sentiria na minha pele nua
a vibração do meu amor

queria que comigo estivesses
pra saber o quão louca estou
em ser dona da tua louquidão
queria que comigo estivesses
porque, simplesmente,
comigo você estaria.
I
caso um dia queiras, meu amor, me esquecer:
queime o meu nome escreva "nunca mais"

II

uma mariposa pousa
uma mariposa voa
mas eu não

III

oriental
ocidental
o céu é seu
mas é também meu

IV

perdi você
sem querer
querendo o teu sofrer
eu sofro,
mas não você.

pequenina flor solitária de um jardim tão feio

eu te abracei forte, minha menina
mas não foi real
eu não morri de saudades tuas
mas você me abraçou com amor
e eu me senti tão mal
por não te amar de abraços

me acalma saber que não me amaste
quando eu te amei tanto
os teus horários apertados
tuas imprevisões
teus desencontros que nos distanciavam
do abraço
mas, ah, como eu me sentia bem contigo
em te confortar
minha menina

então volta a me ligar quando tiver um tempo
volta a me abraçar daquele jeito de encontro
eu sei que meus cabelos, mais longos hoje,
cheiram a cigarro, cheiro que você detesta
mas também cheiram do meu perfume,
que você adora

então, B, me abraça assim de novo...
porque eu não conseguiria não te amar...
nem que eu achasse que não te amo.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

céu I

— Quero viver em paz. – ela suspirou, estagnada no trânsito de constelações.
Ele se virou para olhá-la, tentando não colidir com o infinito.
— Eu não lhe dou paz. É isso?
— Não, Gabriel.
— Então, que eu não lhe dê.
— Eu quero paz. – ela disse novamente, inundada em imensidões de corpos celestiais.
— Eu estou ofendido. Eu não lhe ofereço paz!
— Você me oferece paz, Gabriel. Eu só não a aceito de você.
Ele pareceu confuso, enquanto desviando de estrelas.
— Por que não a aceita?
— Eu quero dançar com você. Mas você vai me conduzir...
Ele ficou em silêncio, com aquele olhar marejado de ondas violentas.
— Eu preciso da minha paz, Gabriel. – ela o enxergou através dos seus olhos e fez uma oração.
— Você não me dá paz.
— Nem ofereço. Não roubarei a única que você possui.
— Você é tão inocente, pois é a única paz que eu tenho. E só por isso ofereço.
Ele selou sua boca com um beijo e eles continuaram viagem.
Em paz.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

exageradamente

parei de fumar
agora rezo pra orixá
você me fez menina direita
e nem me atrevo a desviar
do teu corpo
nem da tua prosa
que me faz arrepiar
encolhida nos varais de cordéis
dos teus encantos
eu me permito alucinar
com a tua voz a sussurrar no meu ouvido
que você quer me ver gozar
eu vou te fazer contente
quando eu puder te acordar
com a sua boca entre os meus dentes
e te ajudando a despertar
com a proposta indecente
a rouca intenção de te amar
eu vou me acolhendo nos teus braços
absorvida pela tua pele suada
até encontrar o teu cansado coração
onde me deixo morar
desarrumando tuas bagunças
aprendendo a descansar.

exageradamente,
os teus gestos ao dedilhar
a tua trêmula boca ditadora
a tua tirania me faz salivar
e dilata minhas noites ao se prolongarem
cifradas em saudade
dispostas em mais pausas pautadas
do que em ruídos de acordes violentos
do teu violão desafinado e inseguro
quero violar as tuas roupas com manchas do meu corpo
e descansar os meus músculos na tua cama
como que, exageradamente,
você fosse me amar
apenas por me desejar,
irreversivelmente,
para sempre.

Trovas de muito amor para um amado senhor

Nave

Ave

Moinho

E tudo mais serei

Para que seja leve

Meu passo

Em vosso caminho.

(I)



* * *



Dizeis que tenho vaidades.

E que no vosso entender

Mulheres de pouca idade

Que não se queiram perder



É preciso que não tenham

Tantas e tais veleidades.



Senhor, se a mim me acrescento

Flores e renda, cetins,

Se solto o cabelo ao vento

É bem por vós, não por mim.



Tenho dois olhos contentes

E a boca fresca e rosada.

E a vaidade só consente

Vaidades, se desejada.



E além de vós

Não desejo nada.

(Hilda Hilst)

sábado, 24 de maio de 2014

se quem procuro embriagada,
louca de um colo,
louca de um beijo
em mero anseio de longas carências
é você: te amo.

se quem procuro com os braços longos
com os jeitos sonsos
os sorrisos meigos
e a cama toda desfeita
é você: te amo.

te amo quando não posso amar outro
te amo quando é segredo amar-te assim
te amo quando encaro o teu amor
te amo quando sou apenas eu e você, enfim

te amo até sem rimar
te amo até sem mar
mas te amo
e isso, infelizmente,
não posso me dar.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

uma carta de amor para minha mãe

"Se, sem saber, fingindo então te amasse,
e tu também me amasse só fingindo,
seria bem estranho se este amor joasse,
criasse em nós o amor mais louco e lindo!

Se, sem querer, me amasses tu mentindo,
e se eu mentindo, de ti, gostasse,
o que faríamos se este ardor criasse,
em nós um querer terno e tão infinito?!

Seria este amor verdade sem tormento,
torturado num falso fingimento,
vivo na morta chama do fingir...

E em nosso peito ardendo em loucas iras,
teríamos a mais rude das mentiras,
de quem fingindo jamais quis mentir!"

A.

você

estar dentro de você é se perder em
redemoinhos alucinados,
inquietos e inconstantes,
inconsequentes e fiéis
à tenência das entidades absolutas.
absorvida pelos teus loucos ensejos,
efeitos dos teus incríveis defeitos.

é saber a verdade do teu corpo
estar dentro de você é estar dentro de mim com outro
estar dentro de você é estar dentro de um furacão enlouquecido
em busca de sossego
embora seu desassossego seja abundante

estar dentro de você é morar em silêncio
em música
em névoa
e ardência
estar dentro de você é estar dentro de mim,
quieta, amarrada,
morrendo em prazeres
lindos enganos
que por serem enganos
não me enganam jamais

domingo, 11 de maio de 2014

eu vivo pra amar

eu tenho medo desse sentimento dormente que se aloja em mim cada vez que eu piso nessa cidade. É um choro velado, de deuses passados, de plenitudes muito extensas para serem extinguidas com infinitos de felicidade. E aí me vem a vontade viciosa de fumar um cigarro ou dois, tomar uma garrafa de vinho ou quatro, para mascarar a vontade chorosa de estar em outro lugar. E me sentir culpada a cada sentença de amor que me é perfumado. Eu amo o cheiro dela, amo poder abraçá-la e dizer que a amo a cada vez que chega exausta do trabalho, mas meu tempo é onde. Meu tempo é quando. Meu tempo não é aqui. Sou, aqui, tempo perdido, com todo o perdão do empréstimo infeliz. Eu me sinto presa a vontades escapistas e burras, quando, no mínimo, distraídas. Estou com medo de ser subjugada a esse lugar de novo. A esses infinitos retóricos e pictóricos que me fazem descrer numa felicidade, ainda que efêmera. Eu creio e crio monstros para me salvarem de um inferno dantesco, quixotesco, enormemente babaca.

Mas eu me protejo da dor e projeto esperanças, vontades e uma fé enorme. E sigo com meus vícios, minhas ilusões, os meus amores, meus poemas, minhas solidões, sem nunca ceder, nem nunca ganhar, nem nunca perder e nunca matar.
eu me afogo nos arrepios dessa pele fraca
minha carne suplica pelos teus pelos
teus apelos
tua pressa e tua loucura

quero me afogar nos meus lábios
manchados de vinhos e outros batons
e na tua boca descobrir os meus segredos
mais insanos que apenas teus olhos
serão capazes de revelar para mim 

e no teu armário provocar loucuras
tuas roupas, confundi-las com meus vestidos
até que se canse de ter roupas, sequer
amarrotar-me em sua cama durante dias
presa em teus lençóis sujos demais
presa nos teus braços suados
e me arrepender de ter escolhido amá-lo

despejar em ti um amor todo que cabe em
meu corpo miúdo e exausto de tanto amor
e caso recusá-lo, ter para quem dá-lo,
a cada instante de pavor

mas desejá-lo ainda assim, 
pelas tuas dormências tantas,
as tuas defesas e as tuas mentiras
os teus defeitos e erros que me enlaçam
e me cercam 
e eu desejo
e não te nego
apenas me desfaço em poesia
pra versejar os teus passos inseguros
que numa mesma prosa nunca serão eternos
[apenas enquanto duram]

quarta-feira, 7 de maio de 2014

minha nega

eu abdiquei da minha vida noturna
dos bares
olhares
cores
sabores
amores
carnes
vícios
pra nada

eu encontrei minha nega!
mas ela não tem dó de mim
não chora
não ama
só samba
e se esquece de mim

eu abdiquei da minha vida noturna
mas ela se abdicou de mim
e eu vivo por aí à fora
sempre esperando pelo fim
[da cachaça]

às vezes ela me acha
me procura por um cigarro,
pinta meu filtro de vermelho
prende os cabelos negros
e não volta nunca mais.

menina

criei um poeta aqui em casa
e ele me amava todo o dia
e me chamava de pequena
e a mim ele fazia
poesias de alguns versos
que eu lia em sua cama
parecendo ninfetinha

ele me dava um codinome
que eu dizia sobrenome
pra fingir que era casada

um dia meu poeta
morreu engasgado
com um sorriso acentuado
e tive que virar viúva
pro meu amor não morrer arrefeçado.

um mês

relaxa, pequena, é só um mês
nega, relaxa
o teu ritmo volta de onde parou
teus estudos, tuas rodas de samba
sem graças ou não
as tuas cervejas chocas
as tuas janelas abertas
serão vedadas agora

se receita revisitar alguns amores
para que se livre de algumas dores
e se envolva nos braços quentes
desse lar do qual você
não se despede, enfim

e quando for voltar,
volta, pequena, volta pro teu mar
volta pra tua roda de samba com graça
e que nunca disfarça quando quer dançar
volta pra cama do teu nego
e vive um dia inteiro sem nem se levantar
volta pro teu sorriso que te espera
ansioso para nos teus lábios se abrigar.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

qual é

hoje eu não quero descanso
me leva pra sambar, amor
pra qualquer lugar, eu vou

terça-feira, 29 de abril de 2014

eu conheço o meu samba

se eu tenho no meu samba algum problema
é porque estou coberta da tristeza
de quem se atreve a amar com poesia

quisera eu, ingênuo anseio
te ter quando eu pudesse tê-lo
quando o tempo fosse meu inteiro
e meu corpo pudesse ser o teu,
sem restrição

mas eu navego pelo mar aberto, amor
sem medo das ondas da tua Mãe
que veleja da minha imensa dor
ela é também mulher

eu navego pra tanto porto, amor
sem saber se posso ficar
sem nem querer, sem nem cobrar
de vento em prosa por um cobertor

despertando em abraço morno
qualquer tipo de afeto
isso eu não mereço
mas também não nego
e me surpreende que seu abraço quente
me tenhas mais de perto

quando nas noites do teu suor profundo
você ouvir pequeno sussurrar vagabundo
vem de mim 
nesse mar em que me afundo

e quando me ouvir
não tenha medo, amor
a vossa Mãe conhece a vossa dor
e não deixaria eu te tragar
se em um louco beijo
eu ameaçasse te castrar o samba

se eu tenho no teu samba algum problema
é não querer cobri-lo de tristeza
com o desassossego que trago ao teu amar.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

antes só

se envaideciam em brasa
entre as coxas suadas
se arrastavam provocando arrepios
longuíssimos
as digitais eram sensações
de pertencimento

às vezes, eles se cansavam
tinham medo de continuar
pois fervia demais
logo depois retornavam
impetuosos
mais rápido

(era ela partitura 
coberta de pausas
e silêncios
mais longa ainda
era sua melodia
de gemidos
[uma orquestra 
dedilhada])

não a julgavam imoral;
não tinham ouvidos,
não tinham boca,
não tinham pau

tinham a ela
e ela somente a eles
seus dedos;
seu íntimo
seu prazer
sua solidão.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

sempre que posso

"eu não quero os teus olhos",
ele me diz
e me repete outra vez
pra virar verdade,
eu não sei.

"eu não quero os teus olhos"
e por que não os quer?
"eu adoro teus olhos no sol"
e por que se apavora?
"eu adoro teu cabelo molhado"
e por que não assume?
"eu odeio a tua boca"
e por que a namora?
"eu não sei parar de te olhar"
e por que você pisca?
"é que eu não sei amar"
e por que você me ama
tanto e nada,
sempre que pode?

a cada oportunidade de voltar
gira a manivela da saudade
e nos coloca pra dançar.

isso é covardia.
permanecer sem nunca estar.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

eu quero a culpa dos teus versos

não me culpe, meu amor,
quando eu me calar
não me culpe por pensar
e nem por não me culpar
não me culpe por ter
dúvidas de você
e não do meu próprio querer

não me culpe por ser
demais dos outros
e mais ainda minha
porque os teus olhos
não me enganam
mas as tuas palavras
sim

não me culpe
pois no passado
eu acreditei nos olhos
e calaram meu desejo
com palavras

não me culpe, meu amor
se assim eu te chamo
e se assim eu me engano
no teu corpo safado
quando meu corpo safado
te toca sem pudor

não me culpe, meu amor
por ter aprendido a gostar
só de graça
a gostar só pela carne
sem querer gostar demais
por muito tempo e
nunca mais

não me culpe, meu amor
se de você eu gostar demais
não me culpe, meu amor
pois eu não vou te culpar
por nenhuma das tuas culpas
a não ser que você queira
me culpar

não me culpe, meu amor
pois eu nunca te culparei
pelos teus erros passados
e esquecidos
enquanto você muito errar
comigo e eu quiser sorrir
do teu errado
sem querer nem consertar
pelo mesmo motivo
que você teria em não
hesitar em me culpar

não me culpe, meu amor
por querer teus dias,
mais ainda as tuas horas,
o teu desejo
e o teu corpo
não me culpe, meu amor
por te querer de pele
de carinho e de apelo
porque eu quero o teu querer inteiro
mas não posso viver sem mim

não me culpe, meu amor
por acreditar nas tuas mentiras cruas
e ainda assim não tomá-las como verdades
embora você as repita
para assim revertê-las em arte
para assim sermos nós

não me culpe, meu amor
pois de você eu não quero nada
de você eu sei mais que nada
e não sei querer saber demais

não me culpe, meu amor
porque eu te quero demais
mas te quero demais agora
e talvez te queira demais depois
não me culpe, meu amor
se eu já quis outras pessoas
e você já quis outras também
não me culpe, meu amor
por não querê-las mais também

não me culpe, meu amor
por saber amar
enquanto eu não culpar
a tua inabilidade indiscreta
incerta tênue e cínica
de não querer saber amar

não me culpe, meu amor
quando eu não permitir
desculpas tuas
quando tentares se culpar

não me culpe, meu amor
porque eu vou me permitir
invadir a tua vida
não me culpe, meu amor
se eu em você confiar
pois o dia que eu assim fizer
não me culpe,
pois aceitei contigo dançar.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

não me cale

que meu calar
seja necessário
apenas nos silêncios
onde cabem dois

que meu calar
silencie o teu calar
com um beijo surdo
ou talvez dois

que meu calor mudo
se atenha ao teu calar-se cego
e que a tua boca
com a minha 
descanse de nós

que meu silêncio
não silencie 
os ruídos do teu corpo
nem do meu corpo
nem dos nossos suores
mas que tenhamos,
quando o silêncio se for,
um ao outro.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

a coroação de ana

me desfiz em poesia
deitei no chão da cozinha
pra ver o meu amor passar
de lá pra cá
com a sua calcinha

a pequena estava em prantos
chorando
mas era tão bonita
que eu a continuava coroando

num pequeno sambinha
pra ela ouvir sozinha
me inclinei num sorriso sacana
pra versejar para os olhos de Ana

"quando tu dança sozinha
me deixa ardendo"
se deita nos meus azulejos
na infinidade do mês de fevereiro

joga em mim as suas roupas todas
e louca, pinta a boca
pra na rua de carnaval
um homem deixá-la rouca

será que ela se acha lá fora
de sainha
com qualquer fácil ladainha
nas graças de sua
calcinha rendadinha?

no quarto confete errado
volta pra casa arrependida
de coração apertado
pedindo pra ser concedida
ao direito de ser só minha rainha

eu, no carnaval cotidiano,
arlequim insano,
tomo o teu circo nos braços
como bom palhaço
e um triste fim de carnaval.

terça-feira, 8 de abril de 2014

festim diabólico de mim

vamos festejar à vida, eu disse.
e disse tão sem crer
que ninguém em mim quis  crer
junto
teus quereres, ele disse, são gris
são tão gris que poluem os meus
vá à merda, eu disse
ele rolou os olhos pra mim
e sem querer foi embora.

oras, eu agora tenho que explicar
porque minha festa é tão sem graça
que nem eu mesma consigo acreditar.

mas ele disse, um dia, antes disso tudo
que eu só iria acreditar
quando eu, enfim, soubesse perdoar
minha imensa capacidade de apenas
respirar.

domingo, 30 de março de 2014

rio de janeiro

eu amo essa cidade
pelos perigos que ela têm
cada luz nova que se acende
em um apartamento
é o perigo de alguém
estar tão triste quanto eu.

domingo, 23 de março de 2014

ao amor

Amor. Meu grande amor, 

eu estou perdida e tem uma derrota em particular que eu não quero admitir. Apenas uma. Mas eu admito a derrota das escolhas erradas, equivocadas. Na verdade, eu admito as derrotas que ainda não se provaram derrotas, mas que possuem derrocadas demais para um dia tornarem-se algo além de derrotas. Eu não tenho vergonha de admitir minha covardia, tão pouco de admitir meus medos. Eu tenho é esse medo de ser derrotada por essa coisa louca chamada expectativa. Chamada lirismo. Essa coisa que é só minha. Eu tenho medo de ser derrotada por mim mesma. Ser derrotada por aquilo que eu sofro. Ser derrotada pela minha solidão, pela minha falta de jeito, pela minha falta de tato. Ser derrotada pelas minhas derrotadas passadas, por coisas que eu nem deveria me lembrar ou lamentar. Eu tenho medo de mim e da minha falta de verdade. Não das minhas mentiras, pois elas me são tão esporádicas ultimamente... mas pela minha falta de verdade em mim mesma. Eu tenho medo de ser derrotada pelas minhas saudades, pelas minhas recuadas insanas em mergulho das minhas inocências. Eu tenho medo de ser acorrentada por isso para sempre, com medo até de me comunicar com você, entendo que você pode rejeitar-me de novo. Mas você não faria isso, porque eu te conheço. E se eu me conheço bem, eu sei que todas as mudanças que prometi se darão lentas, tão gradativas quanto o meu medo de falar. O negócio é que eu não sei falar, você sabe. Eu me embolo na confusão da minha mente sempre tão sonhadora e tudo se enrola quando chega à realidade. As palavras disléxicas são uma culpa minha, uma culpa de uma constante revolução que eu tento empregar na língua. Mas isso são sonhos bobos, nem tão sonhados assim, que se perdem com uma leve brisa de vento que leva minha distração. Ah... Meu grande amor. Eu quero sentir teu beijo de leve, de novo. E poder te dizer adeus pra sempre. E quem sabe assim, um dia, nesse replay, eu não tenha que te dizer adeus nunca mais.

sexta-feira, 21 de março de 2014

uma mensagem de amor

fui da cozinha até o altar bem rapidinho, né, gostosa?
tua janta me serviu dois pratos e lambi teus beiços
nos lençóis mais nus daquela cama crua, que delícia!

a não ser que eu tenha esquecido da sobremesa!
eu não me esqueci não... das tuas coxas lindas
servidas pra mim
esparramadas nas janelas indecentes do meu quarto
da minha sala 
o teu cabelo solto no meu ralo
e eu comprando prazer a uns vinte reais naquela ruela
suja e sem graça e silenciosa
do nosso bairro insosso meio sonso do Rio de Janeiro

ah, e a vontade de te encontrar sem motivo
meio sem vergonha meio até sem vontade
sem importância
meio sem a vitrine, meio sem os vinte contos
meio até sem camisinha... 
sem limite
você querendo sem gracinha.

eu quero a gracinha, quero tudo
quero mover assim, os seus quadris 
e nas pontas dos pés te ver sambar
e nem que seja só pra estar pertinho daquela
pintinha da tua bunda linda
vem me fazer companhia
na minha rotina
na minha cama
na minha linha
na minha música
e na minha poesia.

quinta-feira, 20 de março de 2014

"deixa eu te beijar até você sentir vontade de tirar a roupa..."

por mais garotas com instinto de aventura e de menina solta. 
por mais pessoas que entendem que a vida pode ser melhor sendo tão louca.
por mais sorrisos que serão raios de sol.
por mais amores verdadeiros. 

por mais simplicidade e paciência, vai, estamos precisando.
axé!

sexta-feira, 14 de março de 2014

deite comigo

quando na mudez dos teus silêncios
eu encaixar alguma tristeza:
não esquenta, 
eu divulgo através dos pés descalços,
assados de tanto andar,
um assanhado sorriso falso
que vai tentar te enganar

e dentre as frestas trêmulas
dos meus problemas mais profundos,
enquanto na superfície da tua cama
eu não sofrer por mal algum,
eu entendo as tuas dores 
e esqueço das minhas em sonhos
lindos de meus delírios 
mais profundos

não serei musa dos teus problemas
e nem reza pras tuas enfermidades
mas serei a distração mais gostosa
dos teus dias mais terríveis 
e dos mais agradáveis
isso eu posso garantir
se para todas as mentiras mais lindas
eu já prometi mentir


another fucking poem for you

you are taking my soul out
bringing me into the darkness of your absence
crying over your dying body
crawling into the moon
I take myself to another
and this another
ain't never going to be you

irreversível

eu tenho um espetáculo pra te apresentar
eu abro as cortinas pra te ver sorrir
e pra te ver chorar, embora você não chore
e embora pouco sorria

eu tenho um espetáculo
com um lindo coro
pra te cantar
pra te mostrar que ainda sou sua
inteira ou pela metade
indiferente ou irreversível

o palco do espetáculo é o mundo
quando com você eu esbarrar,
dentre as cortinas do mar nas costas
de uma praia insossa,
e a gente se encontrar sem graça,
vai ser uma vibe linda, você vai gostar

você vai gostar de ver meus olhos
mais uma vez
minha boca
meu silêncio
vai gostar de me tocar
e de conversar sobre as constelações
vai gostar de me amar
e não vai ter medo de mim

dessa vez, seremos o fim
que nunca devia ter tido um começo.

quarta-feira, 5 de março de 2014

"a eternidade tem as suas pêndulas"










nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios.

um dia eu fui

Um dia eu fui Ana, mas isso hoje parece estar tão longe de mim que me esqueci demais. Só que ser Ana não é tarefa fácil. Ser Ana inclui ser de alguém, sendo minha própria. Eu fui Ana como nunca fui Marina e como ainda não me orgulho de ter sido Ana, amando em Jade e embarcando Marina. Mas enquanto fui Ana, não tive medo de perder ninguém, a não ser a mim mesma. Enquanto fui Ana, meus ossos suaram o medo e absorveram a força. Enquanto fui Ana, fui também aquilo que não deveria ter sido, pois eu nunca fui Ana! Mas eu me vou... Jade, Marina ou Ana. E embarco hoje. Um beijo,
adeus.

segunda-feira, 3 de março de 2014

the moon song

I'm lying on the moon
My dear, I'll be there soon
It's a quiet starry place
Time's we're swallowed up
In space, we're here a million miles away

There's things I wish I knew
There's no thing I'd keep from you
It's a dark and shiny place
But with you my dear
I'm safe and we're a million miles away

We're lying on the moon
It's a perfect afternoon
Your shadow follows me all day
Making sure that I'm okay and
We're a million miles away

sábado, 22 de fevereiro de 2014

eu te impressiono

ou você se deixa impressionar?
estou admirando a tua capacidade de disfarçar
o quanto te admiras a minha falta de jeito em explicar
que as tuas falsas gírias não me deixam enganar
e os meus breves passos decidem adotar
aquelas notas nulas que me ajudam a sacar
que os teus lábios sempre frios tem segredos a revelar.
e mesmo que só queiras me beijar
eu procuro uma desculpa pra saber te escutar
quando no escuro da tua sala,
uma vontade à castrar
acima dos lençóis e o tesão a escapar
uma canção gostosa daqueles loucos a amar
o silêncio sempre basta e é necessário se calar.

antinatural

estranho seria eu dizer
assim, por mais nada, que me esqueci
apenas porque talvez eu tenha me esquecido
da aspereza da tua febre quando eu decidia sarar
alguma indisposição sua e, então, tenha perdido
o termômetro junto às tuas coisas não visitadas
por mim há alguns anos

e talvez eu tenha levado um tempo
mínimo para que as impressões
tuas na minha pele curassem o fim
aos poucos tatuado na lentidão
do nosso bálsamo breve


e eu sempre soube que seríamos
abreviados pela intensidade com que
começamos a embarcar nessa loucura
contente de gente nua
que se agarra e quer morar na Lua
sem sair do chão

eu sabia que a gravidade nos pegaria
pelos tornozelos enquanto estivéssemos
longe do mundo, caindo em realidades
simultâneas e belezas artificiais
as quais substituíamos com as
 fluorescências das almas nossas

estranho seria eu dizer que o teu silêncio
não me feriu durante um tempo
e a tua febre não ardeu em mim 
por nenhum segundo, enquanto embriagava
o conhaque com o meu fígado ácido pra curar
aquela sede que eu tinha de alguma coisa
bem maior que a minha sede de te querer
e te ter, mesmo não tendo a posse de você

estranho seria eu dizer que as poesias
que escrevo não são por te querer
ou por ter amado você...
estranho seria eu dizer que te esqueci
ou que algum dia te esquecerei
porque seria estranho, de verdade,
eu me esquecendo, completamente, de você.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

the professor & la fille danse - damien rice

Well I don't know if I'm wrong,
Cause she's only just gone
Here's to another relationship
Bombed by excellent breed of 
gamete disease
I'm sure when I'm older I'll know 
what that means.
(ela até chegou a explicar o deboche 
pra ele "a sua excelente raça de gametas" 
[ou ele a ela], 
mas ele muito pequeno na sua ignorância
e falta de vontade esqueceu-se de
aprender; simplesmente esqueceu-se
de se importar; simplesmente esqueceu 
de ter coragem de falar que
havia entendido;
e apenas debochou dela como 
ela debochou dele.)
Cried when she should and she laughed when she could
(ela chorou quando deveria ter chorado e riu quando
 pôde rir...
Here's to the man with his face in the mud
[um brinde ao homem {a ele} - com a cara na lama - 
ao qual ela obedeceu!])
And an overcast play just taken away
From the lover's in love at the centre of stage yeah
(e um brinde ao teatro nublado acabado, tirado de cena, 
desmistificado, pela amante do jogo no centro
do palco. Mais um relacionamento arruinado pela ex-
celente raça de gametas do protagonista do teatro
por medo; falta de coragem ou fenômeno do espe-
táculo cheio de regras e expectativas.)
Loving is fine if you have plenty of time
For walking on stilts at the edge of your mind
(Amar é legal se você tem tempo de se equilibrar
em pernas de pau no limite da sua mente. Equilibra-
do em uma corda bamba, calçando pernas de pau, 
no abismo da sua mente, entre sanidade e insanidade.
Entre estar seguro, educado, trivial. Entre estar insa-
no, sensível, feliz sendo dependentemente amado.
Sobre o limite, sensibilizado. Amar é legal
se você tem tempo de escolher ficar sem saída, amar 
é legal se você é resistente e paciente o suficiente. 
Amar é legal quando você não ama.
[amar é legal se você tem o tempo pra viver de amor.])
Loving is good if your dick's made of wood
And the dick left inside only half understood her
(Amar é legal se o seu pau sempre está duro. E mesmo
 assim, o pau dentro dela não vai entendê-la. Como 
homem, ele não vai entendê-la. Ele pode foder bem,
foder muito, mas nunca entenderá metade do que
é sentir como uma mulher.
[e o pau dentro dela apenas ia até a metade.])
What makes her come (cum) and what makes her stay?
What make the animal run, run away yeah
What makes him stall, what makes him stand
And what shakes the elephant now
And what makes a man?
(O que faz ela vir (gozar) e o que faz ela ficar?
o que faz o animal (o homem é um animal) correr,
fugir de amar?
o que faz ele cavalgar e permanecer?
o que faz dele um príncipe, disposto
aos caprichos da princesa, para fazê-la gozar,
para fazê-la ficar?
o que agita o elephant e o que faz com que
ele seja um homem? fodê-la? amá-la? o que
faz dele um homem?)
I don't know, I don't know, I don't know
No I don't know you any more
No, no, no, no...
(Eu não sei mais o que te satisfaz)
I don't know if I'm wrong
'Cause shes only just gone
Why the fuck is this day taking so long
(porque essa dor dela ir e ele ficar
 não some junto com o dia)
I was a lover of time and once she was mine
I was a lover indeed, I was covered in weed
(Ele foi o amante do tempo quando amava tentar
satisfazê-la andando com pernas de pau no limite
da mente. Ele era um amante, com certeza, porque
estava chapado. Agora debocha do amor, por tê-
lo perdido ou se decepcionado dela ir embora.)
Cried when she should and she laughed
when she could
Well closer to god is the one who's in love
And I walk away cause I can
Too many options may kill a man
(Bem, perto de Deus é aquele que está
apaixonado. Perto do divino, inatingível,
em estado de graça é aquele apaixonado.
[eu fui embora porque quis... são muitas
opções, posso matar homem?]
Bem, como eu já disse, ela acabou de ir embora.
Muitas opções, posso matar um homem?]
Loving is fine if it's not in your mind
(amar é legal, se não está na sua cabeça, amar
é legal se você não está apenas imaginando.
amar é legal se você não realmente ama.)
But I've fucked it up now, too many times
Loving is good if it's not understood
Yeah, but I'm the professor
And feel that I should know
(mas eu fodi isso agora e muitas outras vezes
amor é legal se você não compreende
amar é legal se você não sabe que amar 
é legal se você tem tempo pra andar 
sobre pernas de pau no limite da sua mente.
[é, mas eu sou o professor {de mim} e sinto 
que deveria entender])
What makes her come and what makes her stay?
What make the animal run, run away and
What makes him tick apart from him prick
And the lonelier side of the jealousy stick
I don't know, I don't know, I don't know
No I don't know, I don't know, I don't know
No I don't know, I don't know, I don't know
Hell I don't know you any more
No, no, no no...
(o que faz ele coçar longe de suas agulhas?
o que faz ele não querer sentir dor?
e o lado mais solitária da vara do ciumento
[aquele pau que só vai até a metade, esperan-
do que ninguém vá até o final])
Well I don't know if I'm wrong
'Cause she's only just gone
Here's to another relationship
Bombed by my excellent breed of gamete disease
I finished it off with some French wine and cheese
(eu termino isso com algum vinho francês
e queijo)
La fille danse
 a garota dança
Quand elle joue avec moi
quando ela brinca comigo
Et je pense que je l'aime des fois
e eu penso que a amo às vezes
Le silence, n'ose pas dis-donc
e o silêncio, não ousa dizer
Quand on est ensemble
quando estamos juntos
Mettre les mots
coloca as palavras
Sur la petite dodo.
num pequeno descanso.





quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

ela gosta de bichos,

selvagens ou não,
poetas ou não,
homens ou não.
ela gosta de bichos
e de dividir a ração.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

alguma coisa, assim, extraordinária

Nunca entendi muito bem como as coisas funcionam, mas sempre me questionei acerca de tudo. E, por isso, as pessoas tendiam a se cansarem ou ficarem à deriva de mim. Durante um tempo ainda me entristecia esse distanciamento, mas, com o passar dos anos, eu aprendi que eu mesma à paisana de mim era ainda mais deliciosamente interessante sem a perspectiva dos outros.

Não aprendi a calar-me, embora eu ainda pense que eu deva. E calar-me de um jeito necessário, daqueles que não são causadores de constrangimento. Mas com isso, aprendi, também, a controlar a ansiedade e a impaciência do meu signo e de minha mãe Iansã. E assim, eu fui tecendo em mim alguma coisa estranha que veio crescendo aos poucos, tomando conta do meu corpo e dos meus anseios de um jeito que eu nunca pude prevenir ou remediar.

Esse algo, não sei se tem nome, mas tem forma e vontade. Vontade demais! Essa vontade que me toma conta, sempre esperançosa e otimista, contando os riscos nas mãos esperando em troca algum dinheiro ou algum sorriso. Mas eu soube me dar a essa coisa tão naturalmente, que imagino que ela sempre esteve por ali, dentro de mim, me maturando, me transformando em alguém capaz de supri-la, de maravilha-la. Eu não sei se todos nós temos isso dentro de nós. Esse calor, esse girassol. Mas sei que todos nós somos estes solos férteis, prontos para crescer raízes enormes.

Ainda não sei se isso é egoísmo, mas voar... Voar me parece tão gostoso contra o vento ou a favor dele, como for. E mesmo que a gente use arte ou qualquer coisa escapista que existe nesse amor que como ar flutua, eu sei que existe e transcende e é apaixonante. Eu sei que viver é corajoso. Sei que amar é ainda mais encorajador. E fugir, ah, fugir é a coragem mais covarde que existe.

Mas viver... Viver é alguma coisa, assim, extraordinária.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

oh Ana

oh, meus orixás 
essa garota quer o mar
mas não tem coragem pra se afogar
oh, menina filha de Iemanjá
a maresia logo vem te buscar
pra junto do teu amor você embarcar

oh, Iemanjá
minha menina pequena não sabe navegar
deixe pra ela um barco pequeno
pra Ana não se afogar
nesse mar infinito de axé,
mamãe Iara.




segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

nós não apagamos as velinhas

a gente tentava se resolver em silêncio
devorando os olhos um do outro
dividindo um cigarro
aquele último, porque nenhum de nós
tinha coragem de sair de casa
e a gente tinha que ficar em silêncio
então, nada de avisar que um ia sair
pro outro ficar

não
se eu tinha que ficar, ele tinha que ficar
estava acordado, escrito nas linhas do silêncio,
na partitura daquela melodia só de pausas,
que os nossos sonhos eram livres
e nossos cigarros eram vulgares
passavam de boca em boca
na nossa poesia muda

num acaso, sem caso, a gente se entendia fácil
eu me debruçava na varanda
e ele logo vinha com um abraço
por trás de mim
subindo o calor da respiração na minha nuca
tremulando os meus ossos da perna
aquecendo com o seu corpo
a minha bunda
a minha pele
o meu beijo

a gente se entendia fácil
e não discordava com facilidade
o problema foi essa facilidade enorme
de ficar em silêncio
que um dia emudeceu um ano inteiro

[e nós não apagamos as velinhas]

sábado, 25 de janeiro de 2014

little friend

it was a miserable friday or something like that
something, indeed, made me scream for some weed
and this friend of mine begging on wine

we just walked on those street for some many times
i just couldn't help to look for the one by my side
the one who stands on crying eyes
and beautiful excuses on laughters and hot pies
and we made such a beautiful speech to each others lies

this friend of mine... what a sweet guy!
with just a little laugh of him I could dissolve in the sky
with some of my dreams he listens so carefully... 
this friend of mine
has been such a tragedy at the time
we just walked around each other trying to figure out
what when wrong on those last lines
when we we're very in love 
not for each other, but for some others 
who just keep putting us in the row of never
keeping us under the dreams of forever

i love him, this friend of mine
i just wish he could see what no one else can see
that i can see so clear
listen to me, handsome friend
and stop trying to put some end
i want you to understand love is fine
and it's ok to love who you wanna love
don't be afraid

i'm here for you, little friend.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

ou no começo

te assustar, meu bem
enquanto você não quiser precisar de mim
isso te assusta, eu sei
gostar de mim assim

"gosto musical?
opção sexual?
talvez... bissexual?
você até que é meio, assim, liberal?
usa anticoncepcional?
gosta de sexo anal?
tem vontade de fazer um bacanal?
eu curti muito o teu astral
às vezes me deparo com muita coisa, assim, artificial
eu até tenho medo de ter um discurso igualmente banal
me desculpa se eu pareço um pouco animal
com essa história de tanto querer carnal
mas é que o mundo tá meio boçal
e eu só queria um bom caso casual
uma energia massa e consensual
pode até ser religiosa, dominical
a não ser que você tenha compromisso aos domingos,
alguma parada conventual
ah, não? então, tá legal!
mas (ri)... olho pros teus olhos e eles tem algo de fatal
e se eu me apaixonar por você, no final?
a gente pode ser algo eventual
sem deixar que se afogue no normal
um sabor de gente ideal
pra cada lençol uma indecência inaugural
sem a promessa de colocar num pedestal
essa relação que vai crescer com cada oral
a gente pode abrir esse acordo semioficial?
[além das tuas pernas, é claro]."

led zeppelin e banda eva
seja bonzinho e se despeça
assim que a minha boca
sair do seu pau
e tivermos esse acordo selado
em condicional.

domingo, 12 de janeiro de 2014

an popular romantic poem

i've missed my baby for the game
and I will never make that mistake again
'cause now that I have these impromptu dues
and I need someone to fix me these shoes
but how can I work with these lips so smooth
wanting to rip the clothes out of me
just wanting so madly to celebrate
those infinite stars that we see

call me babydoll and we can work it out
but let me have some time for myself to aply
in this lines of your mouth that I can't deny
you're being such a bad guy,
I can't take you out of my mind.
this is outrageous and painful 
I just I wish I could cancel
this feelings I have for you.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

vou-me embora para o mar

 vou-me embora para o mar
lá serei rainha
lá terei um marinheiro no qual me atracar
na cama de ondas que escolherei

vou-me embora para o mar
vou-me embora para o mar
aqui não sou feliz
lá a existência é uma aventura
de tal modo inconsequente
que a Lucy in the Sky with Diamonds
rainha lírica e transcendente
vem a ser contraparente
da liberdade que nunca tive

e como farei yoga
andarei de bicicleta
farei algumas festas
subirei em mesas de bar
tomarei banhos de mar.
e quando estiver cansada
deito na beira da praia
mando chamar a Sereia
pra me contar as histórias
que no tempo de eu, menina inocente,
ninguém se atrevia a me contar

(vou-me embora para o mar)

no mar tem tudo
é outra civilização
tem um processo inseguro
de impedir a concepção
tem chuva à tarde
tem liberdade à vontade
tem marinheiro bonito
para a gente namorar

e quando eu estiver triste
mas triste de não ter jeito
quando de noite me der vontade
de me matar
lá, num reino sem rei
terei o marinheiro que eu quero
na cama de ondas que escolherei.
vou-me embora para o mar

hey you


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

desconfianças

e talvez, mais uma vez, por erro ou engano
eu mantenha a cegueira em mil perdões
e em mil outras histórias
eu mantenha o lirismo das tais desconfianças
em amores que morreram mergulhados em vil
promessas chocas

nas garrafadas das noites frias
ébrios de amor e vinho
numa coleção de miados estranhos
beijos lascivos e ferinos golpes de prazer
na medição dos pecados mundanos,
vivi as noites das tuas coxas mornas
e me arrependi dos teus ensejos loucos
num amor errado a perder-se errôneo

e ainda assim, eu o amo!
na sinceridade dos dias espalhafatosos
eu mantenho a minha máscara
em olhos dissimulados
e completo com palavras mentirosas
a desonestidade do meu desamor
por nossos eternos dissabores
e vou-me embora completamente
imersa nas minhas dores