quinta-feira, 22 de agosto de 2013

disritmia

eu quero me esconder debaixo
dessa sua saia pra fugir do mundo
pretendo também me embrenhar
no emaranhado desses seus cabelos
preciso transfundir seu sangue pro meu coração,
que é tão vagabundo
me deixe te trazer num dengo
pra num cafuné fazer os meus apelos
me deixe te trazer num dengo
prá num cafuné fazer os meus apelos

eu quero ser exorcizado
pela água benta desse olhar infindo
que bom é ser fotografado,
mas pelas retinas dos seus olhos lindos

me deixe hipnotizado pra acabar de vez
com essa disritmia
vem logo, vem curar teu nego
que chegou de porre lá da boêmia
vem logo, vem curar teu nego
que chegou de porre lá da boêmia

(martinho da vila)

no dia em que te matei



sábado, 17 de agosto de 2013

o emprego das tuas palavras

nas minhas poesias
te irrita

então, digo:

"foda-se!
eu já não amo mais você!"

tento encobrir o silêncio
com festas
pois
eu ainda não sei
o destino
de Clarissa


a beleza dos teus olhos mentirosos


Eu amo os teus olhos mentirosos. O transtorno que eles causam em mim, o tráfego que ele enfrenta na minha mente. Eu amo os teus olhos mentirosos. Eu poderia emoldurá-los em um retrato na minha parede, mas seria efêmero como são tuas mentiras e tão mais as tuas próprias verdades. A tua boca mente menos que os teus olhos, mas os teus olhos mentem mais que suas mãos. Eu caibo nas tuas mãos mais fácil que as tuas mentiras cabem em teus olhos, mas escapo rápido, desvaneço do reflexo das mentiras, retinas frágeis da tua vida cercada de mentiras e rimas. Sou uma poesia que você escreveu inebriado, insone, inerte. Sou aquela canção que não escutas há anos e mal sabe a letra, cantando tudo errado. Sou a maior parte das tuas mentiras e todas as tuas verdades. Sou o teu amor, a tua pele, a tua carne, o teu osso. Não poderia amar-me menos, se amas a ti mesmo. E por não ousar, covardemente corajoso, conquistar a ti mesmo, não me conquistas mais, não mandas mais em mim, tão menos em minhas escolhas, tão menos em minhas mentiras que são somente tuas. 

sábado, 10 de agosto de 2013

beijo mofado

me sinto definhando por dentro
ao lado de um copo de requeijão
de conhaque

mal posso falar
não há música pra ouvir
não há com quem eu possa conversar
silêncio urbano
solidão absurda

a bebida arde
entra no âmago instantaneamente
é horrível
evidencia o vazio exposto

me sinto como bukowski
tão menos donzela ainda que ele
pronta pra perder as contas
as virgindades
os medos
as caras de vez
me encontrar através de me perder
não deixar que me descubram
mas o vazio come por dentro
não é só o conhaque
é a merda da minha vida
que quando eu disse pra que tudo se fodesse
fodi-me inteira

e nem ao menos beijei o rapaz

eu quero andar descalça


se eu não sou eu, por que todos os espelhos mostram a mesma pessoa?

quem é meu corpo? que cara tem a minha alma?

eu tenho que moldar minha alma a meu corpo
ou meu corpo deve se moldar a minha alma?

se a ansiedade é do meu corpo por que a sinto em minha alma?
se a ansiedade é da minha alma por que a sinto em meu corpo?

o que não vem da minha alma é pedido do meu corpo,
mas o pedido da minha alma quase nunca alcança o meu corpo.
e quando alcança, se perde, vira memória, matéria, silêncio.
na maior parte, silêncio.

metade de mim é alma, metade de mim é meu corpo
metade de mim eu não conheço, nem a outra metade também

eu sonho em saber quem sou com a mesma intensidade que desejo me desconhecer
eu desejo fugir com a mesma intensa determinação de enfrentar
eu procuro saber com um medo gigantesco de encontrar
eu venho a parar com a mesma estranha vontade de continuar
eu tento amar com a mesma calma de o rejeitar
eu busco me achar com vergonha daquilo que posso encontrar.

a solidão me acolhe
mas o corpo rejeita a solidão ao mesmo tempo que a ama
a solidão me acolhe
mas a minh'alma rejeita a solidão ao mesmo tempo que a odeia

a solidão dança comigo
e me pede pra andar descalça
eu aceito

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

quero vinho

música e puta.

gente mal vestida
pau na bunda
garrafas sujas
cheias
vazias
meio cheias
meio vazias
existencialismo

começo
fim

à merda com Sartre
à merda com Nietzsche
escuta aqui, sua maluca
chega de daddy

eu quero você
mulher
sem cabaço
dá pra ser
ou tá difícil?

(Miguel Fonseca)

before midnight

Jesse e Celine tem gêmeas.
Celine é uma feminista maluca, mãe de gêmeas, à flor da pele, francesa, teimosa pra porra.
Jesse é pretensioso, homem, escritor (daí se resumem o resto das patologias)

dá merda.
eu fico puta.
o filme deixa a desejar
eu quero controle
que eles se separem
não fique no meio termo
eu quero amor
quero dor
quero resolução
chega dessa merda inacabada
e foda-se, eu saio triste, sem ninguém pra conversar.

fomos pro museu
voltamos de carro com o bêbado
mas lá ficou ruim
mesmo tragando uma fuga boa
mesmo curtindo a música

Jesse e Celine não saem de mim
Jesse e Celine não saem da minha cabeça

eu preciso fugir, vem comigo
me leva contigo
mas, por favor, conversa comigo

eu podia jurar que não era sobre nós

eu podia jurar que era sobre nós! Podia jurar, assim que pisei naquele lugar, atmosfera bisonha, a poeira da tela através dos feixes de luz. E você, ali, os pés descalços, o dedo vizinho ao dedão sempre maior que os outros. E você sempre insistia que eu o chamasse pelo nome, mas creio que desaprendi. Ou nunca tenha aprendido, com nunca aprendi a colocar o r de iogurte no lugar certo, sem a ajuda da mamãe. Nós fomos assistir aquele filme, aquela canção que nos lembrava um mútuo amor, de diferentes amantes, mas com uma mesma sina escrota de desencontros, covardias e ambições fugitivas. Eu tinha que convencê-lo de me encontrar, você tinha que convencê-lo a não perder-se em ti e nem aqui, mas em qualquer outro lugar e contigo ou ainda sem você, indecisão tremenda como a tua. Mas eu poderia jurar que era sobre nós e não era, afinal.

Por isso, saí apressada, demorei a te ligar de novo ou a agradecer o encontro pelo qual eu ansiava absolutamente, embora não tenha sido sobre nós e eu jurava ter sido... Quero que saibas que lhe agradeço por ter na boca aquela velha canção da trilha sonora ainda deambulando na tua boca e estas tuas lágrimas que salgam o teu rosto já podem mofar de pronto, pois a energia nebulosa da tristeza já vai esvair-se do teu corpo miúdo. 

Lembrei-me, então, de você, filho da puta. Que atormenta minha mente, meu corpo, minh'alma. Que me dói tanto ser na alma um cara de idade idosa, sem sentimentos jovens, sem a jovialidade da enganação. É tão lúcido quanto um insano, tão insano quanto um lúcido e ainda assim... Ainda assim, filho da puta, deixo que se encarregue de mim. É tão cru que me envenena devorar-te. Sou tão venenosa que você se imunizou do meu veneno. Pode me chamar do que quiser, em qualquer língua, qualquer propósito, se, afinal, no final te chamarei de amor. Se, no final, eu posso jurar que isso não é sobre você! 

Mas, ahh... hoje conversei com meu moleque (oi). E poderia jurar que era sobre você! Poderia jurar que era por sentir a tua falta, da tua conversa, do teu sorriso bobo, da tua falta de jeito, covardia e fraqueza, fragilidade. Até da tua solidão, dos teus problemas. Eu podia jurar que era por falta do meu livro preferido, tão leve quanto pesado, mas... Não era. E era, ao mesmo que não era. Nunca foi. De pronto, eu poderia jurar que isso não era sobre você, mas não posso jurar que não seja!

Só que também sinto a falta do meu violão, daquela alemãzinha de pés horrendos que me roubou o sono há pouco tempo... meu sono e meu violão, diga-se! E eu sabia, então, com convicção que era sobre ela! Era falta da música, do paladar do som, era falta, então, não só do violão, mas do que ele representava! (não é pelos vinte é pelo o que ele representa!) E aí lembrei-me daquele que me irrita ao âmago, que no dia em que ele, finalmente, me levar com ele... Ah, se eu soubesse nem andava na rua perigos não corria.

Meu colonizador barato, sem papas na língua e muito gosto de mulher na boca, parecido com o carinha do Heroes, que é gay. Só que tens a(s) tua(s), eu tenho o meu... e nós temos uns putas quilômetros entre nós. E é meu antagonista mais foda que nunca hei de escrever na vida! A quem prometo muitas das minhas virgindades e as quais você nunca chegará nem perto. Quiçá, então, eu vá te visitar quando largar-me de pronto, pois sabe... eu jurava que não era sobre nós! Porque, afinal, não existe nós. Nem perto de a gente. 

Sabe que estou no processo de conversão pra religião pagã, Wicca, já que sou inclinada a praticar magia psíquica de alguma forma. Tortura mental, apatia e etc. E lembro, então, daquele velho avarento que ainda não foi preso por pensão alimentícia, pois é cristão. E eu tinha certeza, eu podia jurar, pois era sobre nós! Era isso. Se encaixava. Mas... eu tão apática a ele, nem tinha lembrado da sua existência se não fosse por uma ligação despretensiosa. Então... não, eu não podia jurar que era isso! Nem sobre o VH que enlouqueceu na presença daquela vó maluca... 

Eu podia jurar que era sobre vocês... mas eu não podia jurar que não era sobre mim.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

all you need for a movie is a gun and a girl, Jean-Luc Godard
Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja.


http://www.oene.com.br/porque-tanta-gente-esta-postando-o-video-do-encontro-de-marina-abramovic-com-ulay-e-qual-e-a-verdade-por-tras-dele/

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

ideologia da gratidão

Não há propósito algum, pedir a alguém que lhe pertença. A que, colecionar ossos? Posto que ao final das relações, me sobram os ossos, as lembranças, um saco de ossos fósseis que um dia sobreviveram à seca de um deserto, a um dilúvio de balbúrdias prazerosas, a xícaras quebradas, ao chá azedo da sogra. Se sobreviveu, a não ruir completamente por sobrar-lhe, então, estes tais ossos, a que cometer o mesmo erro em confundir amor com prisão? Nem digo que há necessidade de amor pra tanto, mas mesmo quando apenas deitar-se com alguém, não estabeleça o destino do regime autoritário e derramar os prantos como criança quando um brinquedo não pode ser seu.

Dê cabo a tua própria liberdade. Não tiranize o outro, espante o ciúme do teu corpo, impregnado nos teus olhos. Não seja corno, mas não acredite que privando a liberdade daquele por quem você se afeiçoa irá reverter qualquer traição, qualquer tentação, impedir qualquer destino daquele que não é você. Impeça o teu destino de ser escroto, de ser uma grande neurótica, filha da puta. Dê tempo a tua maturidade, comece a relação quando começar a sacar que aquele osso vital do teu homem já foi provado por outras. Como esse teu corpo já passou na boca de vários outros homens, por diversas outras vezes. E, talvez, por sorte, esse teu par ou ímpar aí nem é aquele que comprará teus absorventes pro resto da vida ou te aconselhará a passar condicionador no cabelo, de vez em quando.

Não imagino o divórcio a rever, mas a quem a prova do amor se sustenta ao casamento? Talvez apenas na capacidade de sorrisos verdadeiros que conseguem desabrochar durante os anos em vista. Ou então pela conta bancária daquele que você ama indivorciavelmente. O bom caráter! Não discordo que o homem rico, há de ser um homem bom, mas não significa que ele vai te dar boas fodas. A não ser que o teu orgasmo aconteça cada vez mais intenso diretamente proporcional a quantidade de zeros do crédito do cara.  

Só que esse desembolar de sabores estéreos, surdos e superficiais do mundo se embaralham facilmente na vida ilusória. Pois a tudo se pede que pertença, pois por erro dos contratualistas essenciais, o homem foi criado achando-se ao direito a vida, liberdade e propriedade privada. De resto, à forca com Hobbes, Locke e Rousseau. 

PROPRIEDADE PRIVADA. A seguir pelo instinto básico do dinheiro, sexo, drogas, presentes, poder e blowjobs pela manhã. Nada que não possa ser alegado como esse direito a propriedade privada. Afinal, se você é agraciado com esses serviços logo pelo café-da-manhã, não há o que reclamar quando em troca tudo que você tem que oferecer é a tua liberdade! Seria ingratidão sua, no mínimo, se não fornecesse a tua ninfeta o direito de chamar esse teu pau de "meu". Dela, no caso.

O que há de errado com isso? Tiranizar? Os homens nem começaram guerra alguma por esse motivo, hei de sermos, você e eu, os primogênitos do movimento revolucionário contra o prazer em troca de favores? por quê? 

a boca nem é minha. 
tão menos a liberdade.