domingo, 29 de dezembro de 2013

perene


thanks for the love, mom.

but I fear those eyes when they are locked in the mirror
wondering who am I
from whom did I get those freckles?
I just lost myself to myself, sometimes
bound in the commitment of making myself a product of me
and how couldn't I just want to walk by the rain
and get wet
and be moved by something bigger than myself?
how could you not understand my need to cry?
the need to be left alone?
I just want to be pure.
purely mine.
pure of love and cruelty and insecurities and silly freckles and week knees
can't you understand?
I wanna lose myself to me and lose you to be mine.
change me, change my life: get out
I still love you, but I just don't need you anymore to make me feel so miserable.

(and I know i'm gonna regret and miss you,
but right now I just want to be an happy asshole)

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

poesia de Natal

a vida, no final das contas, é uma grande foda
e às vezes a gente é obrigado a engolir 
uma porra que não quer 

domingo, 22 de dezembro de 2013

this is for me to keep believing in guys, girls, guns and romance with lots of blues and weed

just wanted someone to take me to sea
it is so hard, can't you tell?
'cause any men can see
what is missing in me 

for me to get lost around it all
just a lonely bar in a old town
and a lonely girl trying to get
her way out

lost sailor of all shores
just take me out of my love
'cause its killing me to live
without any waves in the sky
or in the earth,
but mostly in my heart

meu marinheiro

tão bonito de ver
meu marinheiro chegar
cansado do mundo
querendo nos meus beijos desbravar
sete mares bravos
e no meu corpo todo esgotar
os loucos delírios do mar

(mas eu tenho medo do mar
se nos braços das ondas
eu me deixar levar
enquanto tenho tanto amor e a maresia pra buscar minha dor, pedirei à Sereia que me leve de carona até o próximo porto onde vive o meu amor)

domingo, 3 de novembro de 2013

Os lábios secos encontraram a seda íntima, tragando do “tecido” o doce aroma natural de boas ilusões. Boas vibes. Ele não tinha dinheiro para muita coisa, apenas para uma camisinha barata, alguma cerveja e aquele baseado bom, no qual não economizava.

As projeções de sua mente o inundavam num êxtase de constante lentidão e prazer, sem a podre ansiedade regulada do cotidiano exaustivo. O efêmero prazer se dava de forma tão intensa que a prolongação era biologicamente exata. Enquanto lá fora explodia constelações e chuva, dentro dele explodia o tesão, a vontade de roer o osso, expulsando o pau das calças com uma ereção que doía.

Tinha, numa proporção exata de satisfação, o tamanho certo para uma apresentação digna. E a garota no seu colo, no instante de seu tesão insuportável, escorregou a calcinha para encaixar sua pequena forma úmida nas veias saltadas e grossas do cara que tinha uma boca com gosto de mel.

Dividiam o baseado e o silêncio há horas. A garota tinha olhos de caleidoscópio, mas não chamava-se Lucy e certamente o seu céu não era feito de diamantes, como gostava de acreditar o cara que deslizava a sua calcinha com fome. Enquanto a mente patologicamente se concentrava em todo o apetite sexual acumulado num membro de dezessete centímetros faminto, o toque adestrava pausadamente as vontades por aquela pele vagabunda.

Uma arritmia cardíaca manifestou-se sob ambos os corpos, enquanto, a estímulo do clitóris, o cara se certificava de manter a garota faminta, embora numa extrema depravação egoísta, a sua mente estimulasse ofensivas e atraentes perversões. A garota gostaria de ouvir o que sua mente pensava freneticamente naquele instante.

Os dedos dele se moviam circularmente e a música, os ânimos desinteressados, os companheiros acelerados demais para a vagarosidade alheia, impediam que os gemidos da garota fossem escutados ou ao menos interrompidos por vergonha ou qualquer expressão externa que impedisse a introspecção prazerosa que experimentava profundamente. 

“Lucy” sentia o caminho de cada gota de suor descer por seu pescoço, cada umidade diferente que experimentava molhar a sua pele, antes seca, antes fria, antes sozinha. Tremia com a dinâmica da melodia que o cara estava determinado em dedilhar. Podia ouvir a melodia, numa frequência distante e fechada, tenra, apossando-se do seu corpo, amolecendo suas células, transformando-a em água, onde ela poderia sentir-se, tão só, sublimando.

O cara, concentrado em fazer-se de concupiscências, desapertou o cinto sem tirá-lo e expulsou seu pau endurecido, pelo zíper, procurando aproximá-lo rapidamente da abertura apertada da garota que ainda sentia as pontadas da melodia em sua fragilidade. Segurou-o pela base, mas não se masturbou nem por um segundo, concentrado em comer aquela buceta com todo o fervor necessário. 

Ele abusava de todo o espaço fornecido, olvidado de suas superficialidades anteriores, incorporando puxões de cabelo e zelo aos pequenos seios rosados que encaixavam-se perfeitamente nas mãos do rapaz. Ouvia atentamente ao som que a boca de Lucy reproduzia ao pé de seu ouvido, ainda que se parecessem com pequenos ruídos, abafados pela música frenética. Gostaria de estar completamente despido de roupas e pudor.

Ele subia e descia vagarosamente, imergido diretamente naquele calor incrível, provocando e sendo provocado em uma mesma proporção, enquanto a garota também se movia como se estivesse em uma montanha russa. A cada bombeada mais incisiva, Lucy agarrava as próprias coxas, buscava por mãos às quais entrelaçar as suas e encontrava aquele cara silencioso, amarrando os dedos aos seus, que a comia numa envolvente foda chapada que ela não experimentava há anos.

Às vezes, transcendiam sem consentimento, o clímax aproximava-se e se perdiam em campos de morangos, céus de marmelada e árvores de tangerina. Os dedos enlaçados tremiam, ardiam e às vezes, congelavam. O calor consumia, o frio se aproximava e poderiam estar cegos, surdos e mudos e ao mesmo tempo experimentar as sensações do modo mais profano.

O que importava a eles era foder. E o prazer da foda eles dividiam tão bem quanto o silêncio e aquele último baseado.

talvez ela trepe com os botões de rosa

e os tentilhões antes de escrever seus poemas.
(bukowski)
Bukowski sabia o que dizia, porque vivia. Se não vivesse, talvez não tivesse a experiência que tinha com mulheres, ao menos não por pura intuição ou sensibilidade. Sua sensibilidade está no seu pau. E sua virilidade está na poesia.

Eu queria poder escolher um dos seus poemas e tecê-lo com a língua no corpo nu de alguém que eu amasse. Eu não diria nada, apenas tatuaria com saliva as minhas intenções com o teu osso e a tua pele que me consomem.

A orquestra dos dias constroem uma melodia doída. 

Sentimental. 
Tenho pra mim que os dias estão cada vez mais moídos e maçantes, as minhas pernas não aguentam mais o meu corpo, o meu coração já não aguenta mais a minha mente. Não vejo a hora de me afogar no gim dos dias e entre as espumas de constelações espalhadas pelo céu. Talvez como a doce devoção de um espancamento, eu deseje a intensidade do sexo na minha vida, assim tanto quanto desejo a extinção dos segredos e das mentiras. Eu desejo desesperadamente um toque, uma sensibilidade, um quatervois entre as roupas desbotadas caídas ao chão e encomendadas para um armário embutido. Entretanto, na maioria dos dias, prefiro a solidão. Perco-me dentro de mim na facilidade da imersão epifânica dos dias, embora não infeliz, mas extremamente sensível e frágil como os loucos sempre são. Eu preciso fugir, porque fugir implica buscar a felicidade, mover-se e anular a opressão do cotidiano, a opressão a que eu me obrigo, pois a tudo que acontece na minha vida, a culpa é exclusivamente minha. Perder-me. Mover-me. São coisas das quais eu preciso viver, ou então, estou morta. Porque assim como Clarice Lispector, quando não escrevo, estou morta. E é preciso viver para escrever com alguma poesia. É preciso amar para viver. E para amar é preciso perdoar-se. E para perdoar-se é preciso saber. E para saber é preciso viver.

Talvez eu trepe com os botões de rosa e os tentilhões antes de escrever meus poemas.

saudade

sinto a tua falta. sinto, coxialmente à saudade, a ausência de mim. não sei como você passa, tão menos o que sente, embora eu mapeie a sua tristeza através do teu olhar. tem dia que é foda, tem dias que minha mente insiste na tua frequência, mas apenas acabo engendrando os seus ruídos. e não sei se você é só ruídos ou eu que não me esforço o suficiente. eu ando ansiosa, efêmera, posta em sistemas bipolares e ímpares de emoções, o que me distancia de você e me aproxima de mim. me torno uníssono de mim, e não posso, não quero sintonizar nossas frequências com timbres distintos. você é mais silêncio que ruído, e eu amo isso em você. embora eu tanto odeie que sua boca tema o que dizem os seus olhos. eu sinto a sua falta, coxialmente à essa saudade, sinto a falta de um pedaço enorme de mim. 

sábado, 26 de outubro de 2013

para onde irá essa noite?

insisto numa imaturidade comum.

por que você me toca dessa maneira?
se aquela mulher que tua mãe conhece
espera que você ceda das noites
enrubescidas de conhaque?
se há alguém na tua cama,
te esperando voltar,
de cara limpa, roupa limpa
sem marcas na boca ou no pau?

pra quê me dar o teu desejo,
se não podemos ser?
pra quê dar-me a tua noite,
se não podemos ser dia?
pra quê querer o meu corpo,
se na manhã seguinte eu me desfizer?
pra quê querer o meu desejo,
se não pode sê-lo completo?

não se engane,
não é por querer uma vida completa,
nem incompleta,
com você

mas é por querer a intensidade
dos vivos
ao menos uma noite inteira
de corpo e alma inteiro
nem que na manhã seguinte
o pássaro selvagem voe pra outra direção.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

meu bem

eu penso em você, eu penso em você, eu penso em você, eu penso em você.

eu morria a cada atenção dele, a cada vontade de tê-lo que me afogava, me queimava, ardia e me curava. 

o teu olhar florescia a minha vontade de continuar.
mas minha pele e minha alma lembravam-me de outro alguém.

se esse alguém me voltou
com vontade de ficar,
eu penso em você que me
 quis num instante e
agora já não me quer.
eu preciso amordaçar minha vontade de você.
mas eu ainda penso em você.
que tolice! 
pensar em alguém
a não ser em mim.

eu sei

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

vulgaridade


faz parte de um futuro remoto a tua concretude na minha matriz... talvez eu saiba por intuições recadastradas a cada visita tua, a cada "vambora daqui, pequena". Ainda sei que os teus passos leves vão atravessar a casa inteira pra me dar um beijo cansado. Na superficialidade da vulgaridade, além daquilo que você me proporciona como mulher, creio que amor nos dá completudes transitórias... você me move. Direi-me viúva quando não mover-me mais. Numa existência de amores tão deslocados e efêmeros, gosto de ter uma efemeridade como a tua colocada na minha intensidade. Guiar-me dentre as galáxias das tuas palavras velhas, gírias estranhas e olhos safados. Engolir com os lábios as tuas sábias perversividades. Acendo um cigarro, sirvo o conhaque, boto Led Zeppelin pra tocar e te leio uns contos eróticos. Se me surpreendes na porta do elevador, ou enquanto leio, enquanto me perco entre melodias que sempre soube descrever melhor do eu, é quando sou pega por essa banalidade romântica de que um beijo pode desassossegar. E transborda. Refaz.

Refeita, eu encontro nos minutos ausentes do desassossego um Nenúfar crescente de paixão. E dentre as flores mais honestas das possibilidades causais da doença, acredito que seja você, crescente como um Nenúfar no pulmão de Chloé, num realismo fantástico embebido de desfazeres. Eu acredito em nós. E acreditar em nós é a pior das minhas tolices... é a pior das minhas doçuras. Acreditar em nós é acreditar que meus crimes foram perdoados. É acreditar que minhas mentiras e minhas verdades foram apagadas dos nós da identidade história. É acreditar que é possível o esquecimento, a benção de uma mente sem lembranças.

Sou imprudentemente maravilhada pelos meus pecados... Vivo num presente de dualidades, uma péssima e outra incrível, onde há doença e há cura, sendo a minha doença a melhor parte da vida, vulgar, e a cura tão esquecida de mim mesma que logo se esvai com desentrelaçar de meses. 

Mas os meus dedos estão entrelaçados nos teus... Me guio pela cegueira, me guio pelo instinto, pelo cheiro e pelo gosto dos meus apelos. Te sinto como o verão e toda sua sensualidade desafinada me aquece. Sou mantida à temperatura do teu corpo. E não suspiro ou transpiro a medida da tua vontade. Incrivelmente vassala. 

A rouquidão dos nossos dias repete o eco dessa melodia melancólica que tem um programa diário com intervenções de gemidos.

Ainda sei que os teus passos leves vão atravessar a casa inteira pra me dar um beijo cansado.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

demais

todos acham que eu falo demais
e que ando bebendo demais
que essa vida agitada não serve pra nada
andar por aí
bar em bar
bar em bar

dizem até que ando rindo demais
e que conto anedotas demais
que não largo o cigarro
e dirijo o meu carro
correndo e chegando no mesmo lugar

ninguém sabe que isso acontece porque
vou passar minha vida esquecendo você
e a razão porque vivo esses dias banais
é porque ando triste
ando triste demais

e é por isso que eu falo demais
e é por isso que eu bebo demais
e a razão porque vivo essa vida agitada
demais
é porque meu amor por você é imenso
o meu amor por você é tão grande
o meu amor por você é enorme
demais

sábado, 12 de outubro de 2013

eu não me arrependo de Nebraska

Um gato miava. O apartamento em silêncio absoluto, um cigarro aceso. Um tipo de tempo e apenas os ruídos da televisão brilhando sob a profundidade tão superficial da morbidez. A hora marcada de rumores sorrateiramente ligeiros e aparentes, um minuto a cochichar com o próximo minuto. Por costume, ele recolheu-se para dentro de sua consciente melancolia de apartamento, uma amargura com ímpares dissabores. Fumou seu último cigarro do dia e embargou mais uma noite cansada.

Sua rotina quase que se repetia, espreguiçando-se ao atravessar das semanas. Quis contar ao próprio âmago um antigo segredo frígido. Quis abençoar-se com toda a culpa que a comiseração é capaz de amordaçar. Tinha comum à mordaça alguns conceitos sexualmente freudianos, esquecidos na orelha de algum livro ordinariamente chato ou num anônimo de citações próprias. Surpreendido pelas revelações de suas preferências emocionais, transferiu o lirismo a sexualidade. Comia todo mundo. Pedia certificado de propriedade efêmera e emitia aquele recibo gozado com os efeitos de uma fragilidade. 


Era sozinho. 
Por vezes, ele não se lembrava quem era, 
mas sabia exatamente de quem sentia a falta. 
Tinha plena consciência da ausência de si. 

Eu também cercava-me disso, atendia aos seus telefonemas gentis e desanimados, enquanto ao lado o conhaque e o cigarro aceso que se consumia por si só. Chegava a escrever o seu nome em todo o cigarro para tragá-lo aos poucos e sempre desistia, fazendo guimba na última sílaba. Eu desistia, não procurava por ele durante semanas. Tinha resolvido afastar-me, deixá-lo respirar, afinal, sabíamos viver separados. Ainda que entre tropeços e engasgos. Eu poderia afogar-me nas palavras e ele poderia afogar-se numa boa foda, either way. Tínhamos vivido anos em segundos. Nos amamos entre os goles de champagne no céu, sem beijos ou compreensões dignas. Externamente ordinários numa intensidade lacrada de outros amores. Outras dores. Não éramos puros. Carregávamos as cicatrizes das guerras anteriores. Particularmente, havíamos participado de sangrentas batalhas com gosto de gim pela metade e isso nos dilacerava.

Os boatos das horas contavam silêncios encaixados entre acordes. A melodia seguia e entre aquela tristeza sobrava apenas o nada. Um cheiro de nada, uma cor neutra, um gesto desmantelado pela insignificância. Não conseguíamos desatar os nós, a penúria de desatá-los e o barulho do telefone ecoando nos cômodos natimortos e mudos. Uma surdez de amores cercados pelos cegos martelos do tempo. Monstros inventados por boêmios sábios de um pedaço bonito em Nebraska. Dê-me uma espingarda, rum, dinheiro e um baseado para ver-se livre de mim e do meu amor errado.

Não se arrependa jamais. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

o professor boliviano

"Eu nunca serei capaz de agradecer o suficiente por
todos os anos que você gastou me salvando."
Há muito que vinha sentindo falta de um amigo meu. Tínhamos sido o que, talvez, nunca ninguém teria se atrevido a ser um ao outro, agarrados à uma conquista diária de covardias e coragens, de ilusões mascaradas socialmente ou apenas por dissimulação submissa de amor doentio. Mas tal conquista de confiança, tal amizade conturbada e fascista deixou-me as marcas da promessa distante, da fuga, do romantismo estranho que me prometia um irmão. Um jeito de não estar sozinha, ao menos por alguns instantes. 

Venci o jogo, entretanto, perdi o amigo. Perdi a alegria daquela ingenuidade, daqueles olhos que se faziam muito espertos, daquelas conversas que encardiam os sorrisos no canto do rosto, aquela coisa que não era solitária, tão menos trivial.

Vinha sentindo a falta dele e como descobria-me a partir dessas faltas e nunca das presenças, fui procurá-lo. Fazia oito anos que não nos víamos, que ao menos tínhamos notícias um do outro. Talvez ele tenha me visto nas revistas, por aí. Mas eu não sabia dele. Ninguém sabia dele. Quando fui procurá-lo, decidi ir pelos métodos antigos, pelos nostálgicos nomes da lista telefônica. Falei com a sua mãe e ela, depois de alguma insistência e algumas confissões, forneceu a mim um endereço. Ele estava na Bolívia.

Não me demorei a marcar a viagem. Ansiava a reação quando percebesse o quão afiado estava o meu espanhol, posto que eu mal conseguia pronunciar uma frase sem confundir com o português ou o italiano, antigamente. Mal podia esperar para vê-lo homem, depois de tê-lo deixado menino. Sentia-me incrivelmente frágil, como nunca havia estado em sua presença ou menção, exatamente como a doce ingênua adolescente insegura, que antes, à encenar pra ele, eu havia sido. Fazia-me sorrir, como a esperá-lo às quatro e desde às três ser feliz.

Trabalhava em uma escola de línguas remota, ensinando português, de modo que eu mal podia acreditar que tornara-se professor, tão menos de gramática, dado a sua aversão imensa pela matéria nos tempos da mocidade.

Quando o vi, mal pude aguentar a tristeza ao contraste do riso. Havia mudado tanto! Estava surpreso, mas parecia resignado. O seu cabelo estava mais longo, talvez ele estivesse um pouco mais velho, entretanto, a tristeza dos teus olhos continuava a mesma. Quis acreditar que ele estivesse apenas cansado. 

Mal conseguimos nos cumprimentar, éramos ruins, ambos, nisso. Gosto de crer que ele tenha ficado feliz em ver-me também.

Havia tantas coisas não ditas no passado, tantas coisas que a arte não foi capaz de comunicar, tão menos eu mesma. Tão menos a quem eu criei nas últimas semanas de contato. Mal poderia enxergar em mim aquela que conheceu, parecia, talvez, um mesmo corpo, mas não a mesma pessoa. Os soluços das palavras entrevadas ainda sobreviviam no estômago. Meu corpo se rendia aos poucos, ao choro, aos lamentos. Mal sabia ele das coisas as quais privava ao seu conhecimento, não gostaria de preocupá-lo, tão menos vê-lo assim. Ele merecia estar feliz. Ou apenas fingir estar feliz. Cuidei da tua felicidade como se fosse a minha própria. Tentei regá-la, mantendo-me longe, mantendo certos eventos longes dos teus eventos. E mesmo que tenha dito que enjoaste de mim, eu não enjoei de você. Embora esses caminhos tenham se cruzado na Bolívia e quem sabe, um dia, se cruzem no Canadá, no teu rosto, por favor, um sorriso.

Posto que a solidão dos teus olhos ainda fogem da solidão dos meus olhos e ainda evita olhá-los e quando olha é porque sabe que eu vou desviá-los, quero-te feliz sem mentir (nem você, nem eu)!

Adios/ hasta luego. 

domingo, 1 de setembro de 2013

slow down, you crazy child

o recomeço dos olhos parte a princípio de um único relance próprio. Do ser, a vir, a enaltecer a partir do querer honesto. A espécie sincera da liberdade, olvidada pelos costumes, pelos consumos, pela fragilidade efêmera do tempo. A contar o que não se pode dizer, pelo medo. A chamar a solidão para dançar. E crer em si mesma. Inclusive nas tuas incapacidades. É se desculpar consigo mesma, refletir-se através de outrem, sem que custe e cobre de tais outros. A vir, perdoar-se, por fim, pelas próprias qualidades autodestrutivas e pelos defeitos enobrecedores. É ganhar-se, interessado. É perder-se em si. Conseguir compreender as necessidades desnecessárias de um evento fútil qualquer. Desvarios, libertá-los! Romper com o mundo, queimar os próprios navios, sem a excitação de uma furtiva emoção que se lança através do entrelaçar com olhos castanhos de um outro alguém. É apaixonar-se pelo espelho, sem mergulhar nas ondas de Narciso. É conhecer-se, amante pagão de si mesmo, seios nas próprias mãos. E tais empréstimos das canções de Chico, nas quais há de perder-se, tome conta de si. Como dedica-te a cuidar dos outros.

E quando pronto, partir ao útero do mundo. A descobri-lo, consumi-lo, devorá-lo, libertá-lo. Sem enclausurar-se, sem levar a prisão consigo, mas divagar e devagar chegar a conclusões inusitadas. É permitir-se uma doença mental alemã quando maduro, mas esquecê-la precocemente. É amar a teus inusitados desvios, confusos caminhos, estreitas relações e longas canções. Mas confundir-se sem caminhar em círculos, pra sempre. Compreender a beleza da segunda chance. E comemorar os lances errados, entristecer-se com os lances certos e paradoxalmente chegar a conclusões simplesmente complicadas. É querer, por um segundo, pertencer a uma mão carinhosa. E depois do segundo errado, querer que alguém pertença a tua mão carinhosa. Cúmplice de si, antes do bolero. Dançar o tango descalço. 

seja paciente, garotinha ansiosa
seja, finalmente, quem queres se tornar
viena te esperará. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

disritmia

eu quero me esconder debaixo
dessa sua saia pra fugir do mundo
pretendo também me embrenhar
no emaranhado desses seus cabelos
preciso transfundir seu sangue pro meu coração,
que é tão vagabundo
me deixe te trazer num dengo
pra num cafuné fazer os meus apelos
me deixe te trazer num dengo
prá num cafuné fazer os meus apelos

eu quero ser exorcizado
pela água benta desse olhar infindo
que bom é ser fotografado,
mas pelas retinas dos seus olhos lindos

me deixe hipnotizado pra acabar de vez
com essa disritmia
vem logo, vem curar teu nego
que chegou de porre lá da boêmia
vem logo, vem curar teu nego
que chegou de porre lá da boêmia

(martinho da vila)

no dia em que te matei



sábado, 17 de agosto de 2013

o emprego das tuas palavras

nas minhas poesias
te irrita

então, digo:

"foda-se!
eu já não amo mais você!"

tento encobrir o silêncio
com festas
pois
eu ainda não sei
o destino
de Clarissa


a beleza dos teus olhos mentirosos


Eu amo os teus olhos mentirosos. O transtorno que eles causam em mim, o tráfego que ele enfrenta na minha mente. Eu amo os teus olhos mentirosos. Eu poderia emoldurá-los em um retrato na minha parede, mas seria efêmero como são tuas mentiras e tão mais as tuas próprias verdades. A tua boca mente menos que os teus olhos, mas os teus olhos mentem mais que suas mãos. Eu caibo nas tuas mãos mais fácil que as tuas mentiras cabem em teus olhos, mas escapo rápido, desvaneço do reflexo das mentiras, retinas frágeis da tua vida cercada de mentiras e rimas. Sou uma poesia que você escreveu inebriado, insone, inerte. Sou aquela canção que não escutas há anos e mal sabe a letra, cantando tudo errado. Sou a maior parte das tuas mentiras e todas as tuas verdades. Sou o teu amor, a tua pele, a tua carne, o teu osso. Não poderia amar-me menos, se amas a ti mesmo. E por não ousar, covardemente corajoso, conquistar a ti mesmo, não me conquistas mais, não mandas mais em mim, tão menos em minhas escolhas, tão menos em minhas mentiras que são somente tuas. 

sábado, 10 de agosto de 2013

beijo mofado

me sinto definhando por dentro
ao lado de um copo de requeijão
de conhaque

mal posso falar
não há música pra ouvir
não há com quem eu possa conversar
silêncio urbano
solidão absurda

a bebida arde
entra no âmago instantaneamente
é horrível
evidencia o vazio exposto

me sinto como bukowski
tão menos donzela ainda que ele
pronta pra perder as contas
as virgindades
os medos
as caras de vez
me encontrar através de me perder
não deixar que me descubram
mas o vazio come por dentro
não é só o conhaque
é a merda da minha vida
que quando eu disse pra que tudo se fodesse
fodi-me inteira

e nem ao menos beijei o rapaz

eu quero andar descalça


se eu não sou eu, por que todos os espelhos mostram a mesma pessoa?

quem é meu corpo? que cara tem a minha alma?

eu tenho que moldar minha alma a meu corpo
ou meu corpo deve se moldar a minha alma?

se a ansiedade é do meu corpo por que a sinto em minha alma?
se a ansiedade é da minha alma por que a sinto em meu corpo?

o que não vem da minha alma é pedido do meu corpo,
mas o pedido da minha alma quase nunca alcança o meu corpo.
e quando alcança, se perde, vira memória, matéria, silêncio.
na maior parte, silêncio.

metade de mim é alma, metade de mim é meu corpo
metade de mim eu não conheço, nem a outra metade também

eu sonho em saber quem sou com a mesma intensidade que desejo me desconhecer
eu desejo fugir com a mesma intensa determinação de enfrentar
eu procuro saber com um medo gigantesco de encontrar
eu venho a parar com a mesma estranha vontade de continuar
eu tento amar com a mesma calma de o rejeitar
eu busco me achar com vergonha daquilo que posso encontrar.

a solidão me acolhe
mas o corpo rejeita a solidão ao mesmo tempo que a ama
a solidão me acolhe
mas a minh'alma rejeita a solidão ao mesmo tempo que a odeia

a solidão dança comigo
e me pede pra andar descalça
eu aceito

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

quero vinho

música e puta.

gente mal vestida
pau na bunda
garrafas sujas
cheias
vazias
meio cheias
meio vazias
existencialismo

começo
fim

à merda com Sartre
à merda com Nietzsche
escuta aqui, sua maluca
chega de daddy

eu quero você
mulher
sem cabaço
dá pra ser
ou tá difícil?

(Miguel Fonseca)

before midnight

Jesse e Celine tem gêmeas.
Celine é uma feminista maluca, mãe de gêmeas, à flor da pele, francesa, teimosa pra porra.
Jesse é pretensioso, homem, escritor (daí se resumem o resto das patologias)

dá merda.
eu fico puta.
o filme deixa a desejar
eu quero controle
que eles se separem
não fique no meio termo
eu quero amor
quero dor
quero resolução
chega dessa merda inacabada
e foda-se, eu saio triste, sem ninguém pra conversar.

fomos pro museu
voltamos de carro com o bêbado
mas lá ficou ruim
mesmo tragando uma fuga boa
mesmo curtindo a música

Jesse e Celine não saem de mim
Jesse e Celine não saem da minha cabeça

eu preciso fugir, vem comigo
me leva contigo
mas, por favor, conversa comigo

eu podia jurar que não era sobre nós

eu podia jurar que era sobre nós! Podia jurar, assim que pisei naquele lugar, atmosfera bisonha, a poeira da tela através dos feixes de luz. E você, ali, os pés descalços, o dedo vizinho ao dedão sempre maior que os outros. E você sempre insistia que eu o chamasse pelo nome, mas creio que desaprendi. Ou nunca tenha aprendido, com nunca aprendi a colocar o r de iogurte no lugar certo, sem a ajuda da mamãe. Nós fomos assistir aquele filme, aquela canção que nos lembrava um mútuo amor, de diferentes amantes, mas com uma mesma sina escrota de desencontros, covardias e ambições fugitivas. Eu tinha que convencê-lo de me encontrar, você tinha que convencê-lo a não perder-se em ti e nem aqui, mas em qualquer outro lugar e contigo ou ainda sem você, indecisão tremenda como a tua. Mas eu poderia jurar que era sobre nós e não era, afinal.

Por isso, saí apressada, demorei a te ligar de novo ou a agradecer o encontro pelo qual eu ansiava absolutamente, embora não tenha sido sobre nós e eu jurava ter sido... Quero que saibas que lhe agradeço por ter na boca aquela velha canção da trilha sonora ainda deambulando na tua boca e estas tuas lágrimas que salgam o teu rosto já podem mofar de pronto, pois a energia nebulosa da tristeza já vai esvair-se do teu corpo miúdo. 

Lembrei-me, então, de você, filho da puta. Que atormenta minha mente, meu corpo, minh'alma. Que me dói tanto ser na alma um cara de idade idosa, sem sentimentos jovens, sem a jovialidade da enganação. É tão lúcido quanto um insano, tão insano quanto um lúcido e ainda assim... Ainda assim, filho da puta, deixo que se encarregue de mim. É tão cru que me envenena devorar-te. Sou tão venenosa que você se imunizou do meu veneno. Pode me chamar do que quiser, em qualquer língua, qualquer propósito, se, afinal, no final te chamarei de amor. Se, no final, eu posso jurar que isso não é sobre você! 

Mas, ahh... hoje conversei com meu moleque (oi). E poderia jurar que era sobre você! Poderia jurar que era por sentir a tua falta, da tua conversa, do teu sorriso bobo, da tua falta de jeito, covardia e fraqueza, fragilidade. Até da tua solidão, dos teus problemas. Eu podia jurar que era por falta do meu livro preferido, tão leve quanto pesado, mas... Não era. E era, ao mesmo que não era. Nunca foi. De pronto, eu poderia jurar que isso não era sobre você, mas não posso jurar que não seja!

Só que também sinto a falta do meu violão, daquela alemãzinha de pés horrendos que me roubou o sono há pouco tempo... meu sono e meu violão, diga-se! E eu sabia, então, com convicção que era sobre ela! Era falta da música, do paladar do som, era falta, então, não só do violão, mas do que ele representava! (não é pelos vinte é pelo o que ele representa!) E aí lembrei-me daquele que me irrita ao âmago, que no dia em que ele, finalmente, me levar com ele... Ah, se eu soubesse nem andava na rua perigos não corria.

Meu colonizador barato, sem papas na língua e muito gosto de mulher na boca, parecido com o carinha do Heroes, que é gay. Só que tens a(s) tua(s), eu tenho o meu... e nós temos uns putas quilômetros entre nós. E é meu antagonista mais foda que nunca hei de escrever na vida! A quem prometo muitas das minhas virgindades e as quais você nunca chegará nem perto. Quiçá, então, eu vá te visitar quando largar-me de pronto, pois sabe... eu jurava que não era sobre nós! Porque, afinal, não existe nós. Nem perto de a gente. 

Sabe que estou no processo de conversão pra religião pagã, Wicca, já que sou inclinada a praticar magia psíquica de alguma forma. Tortura mental, apatia e etc. E lembro, então, daquele velho avarento que ainda não foi preso por pensão alimentícia, pois é cristão. E eu tinha certeza, eu podia jurar, pois era sobre nós! Era isso. Se encaixava. Mas... eu tão apática a ele, nem tinha lembrado da sua existência se não fosse por uma ligação despretensiosa. Então... não, eu não podia jurar que era isso! Nem sobre o VH que enlouqueceu na presença daquela vó maluca... 

Eu podia jurar que era sobre vocês... mas eu não podia jurar que não era sobre mim.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

all you need for a movie is a gun and a girl, Jean-Luc Godard
Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja. Marina ainda acredita no amor verdadeiro e dispensa a afeição com a mesma intensa determinação que a deseja.


http://www.oene.com.br/porque-tanta-gente-esta-postando-o-video-do-encontro-de-marina-abramovic-com-ulay-e-qual-e-a-verdade-por-tras-dele/

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

ideologia da gratidão

Não há propósito algum, pedir a alguém que lhe pertença. A que, colecionar ossos? Posto que ao final das relações, me sobram os ossos, as lembranças, um saco de ossos fósseis que um dia sobreviveram à seca de um deserto, a um dilúvio de balbúrdias prazerosas, a xícaras quebradas, ao chá azedo da sogra. Se sobreviveu, a não ruir completamente por sobrar-lhe, então, estes tais ossos, a que cometer o mesmo erro em confundir amor com prisão? Nem digo que há necessidade de amor pra tanto, mas mesmo quando apenas deitar-se com alguém, não estabeleça o destino do regime autoritário e derramar os prantos como criança quando um brinquedo não pode ser seu.

Dê cabo a tua própria liberdade. Não tiranize o outro, espante o ciúme do teu corpo, impregnado nos teus olhos. Não seja corno, mas não acredite que privando a liberdade daquele por quem você se afeiçoa irá reverter qualquer traição, qualquer tentação, impedir qualquer destino daquele que não é você. Impeça o teu destino de ser escroto, de ser uma grande neurótica, filha da puta. Dê tempo a tua maturidade, comece a relação quando começar a sacar que aquele osso vital do teu homem já foi provado por outras. Como esse teu corpo já passou na boca de vários outros homens, por diversas outras vezes. E, talvez, por sorte, esse teu par ou ímpar aí nem é aquele que comprará teus absorventes pro resto da vida ou te aconselhará a passar condicionador no cabelo, de vez em quando.

Não imagino o divórcio a rever, mas a quem a prova do amor se sustenta ao casamento? Talvez apenas na capacidade de sorrisos verdadeiros que conseguem desabrochar durante os anos em vista. Ou então pela conta bancária daquele que você ama indivorciavelmente. O bom caráter! Não discordo que o homem rico, há de ser um homem bom, mas não significa que ele vai te dar boas fodas. A não ser que o teu orgasmo aconteça cada vez mais intenso diretamente proporcional a quantidade de zeros do crédito do cara.  

Só que esse desembolar de sabores estéreos, surdos e superficiais do mundo se embaralham facilmente na vida ilusória. Pois a tudo se pede que pertença, pois por erro dos contratualistas essenciais, o homem foi criado achando-se ao direito a vida, liberdade e propriedade privada. De resto, à forca com Hobbes, Locke e Rousseau. 

PROPRIEDADE PRIVADA. A seguir pelo instinto básico do dinheiro, sexo, drogas, presentes, poder e blowjobs pela manhã. Nada que não possa ser alegado como esse direito a propriedade privada. Afinal, se você é agraciado com esses serviços logo pelo café-da-manhã, não há o que reclamar quando em troca tudo que você tem que oferecer é a tua liberdade! Seria ingratidão sua, no mínimo, se não fornecesse a tua ninfeta o direito de chamar esse teu pau de "meu". Dela, no caso.

O que há de errado com isso? Tiranizar? Os homens nem começaram guerra alguma por esse motivo, hei de sermos, você e eu, os primogênitos do movimento revolucionário contra o prazer em troca de favores? por quê? 

a boca nem é minha. 
tão menos a liberdade.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

já decorou a cor do seu sorriso hoje?

nos lábios, amargos ou azedos? 
qual o doce, sabor ou dissabor dos teus lábios pela manhã? 
suco de abacaxi com hortelã, adoçante, mel,
panquecas, morangos, café, capuccino 
uma poesia que rime? 
apenas água, talvez um chá, há gosto de pressa! 
você está atrasado... não dá tempo pra rapidinha. 
nem pra uma punheta no chuveiro. 

qual a cor do céu, das nuvens, da luz, das poeiras, das estrelas, da Lua? 
qual a cor do teu beijo, teu cheiro, teu vinho, teu corpo, tua vida?
qual o sabor da tua roupa, do teu dinheiro, do teu ingresso de cinema, da boca da tua namorada?
qual o jeito de agir, de amar, de lamentar, de sentir, de gozar?

de quem é o silêncio do teu silêncio? 
de quem é o teu rosto, tua coxa, tua bunda, teus seios, tuas mãos, teus cabelos, tua nudez?
de quem é a tua costela, teus rins, teu fígado, teu pulmão?
de quem são os teus pés e costas e pelos?

pra quem são teus gemidos, teus suores, tuas lamentações?
pra que lê estes livros, vê esta televisão e torce pro timão?
pra quem são tuas cartas cheias de perfume que não envias a ninguém?

pra quem são teus sorrisos quando sem planos vão além?
já decorou a cor do teu sorriso hoje?
ou ainda não terminou o script do teatro de amanhã?

terça-feira, 30 de julho de 2013

sinto teu cheiro

pára de me atormentar
sei que te pedi pra ficar
e num ne me quitte pas
reste avec moi
repeti uma canção que
gostava pra assobiar

mas não aguento mais
me algemar nas tuas mãos ansiosas
e escapar a cada silêncio teu
em cada momento
opressor da minha verdade
me abraça
não foge
ne me quitte pas
reste avec moi

não aguento mais esse
francês desafinado
que por medo de amar
tu me proibistes de dançar



segunda-feira, 29 de julho de 2013

morra

e não chegue perto de minha pequena. Não desfaleça o seu pau dentre as pernas dela e não se aconchegue em seu colo manso. Tu és, meu caro, responsável por aquilo que cativas! És responsável por ela e pelo sentimento que nela você cativou. Frouxa e apaixonada, emergiu em teus braços, mentirosos ou não, medrosos, afogados de mel mofado que esgotou-se por desprezo ou amor sufocado. Mas a quem sufoca se não a ti mesmo, pois você irá ser sufocado com essa tua insegurança burra de moleque. Assuma isso à homem, resolva isso à homem, como pretende-se chamar, pois se usa esse teu falo pra comê-la, pode muito bem assumi-lo com a responsabilidade de amá-la.

É fácil dar-lhe tais coisas, é mais difícil ainda fingir não senti-las. Procure-a em sonhos, se desculpe e foda-a de novo, milhares de vezes ou não. A quem envenena se destina o próprio veneno. Derrotado por si mesmo, o pau pesa e Freud explica. Tu não és homem, não sei quem tu és, mas isso não assume ser. Não pode assumi-lo, se és tão incapaz de amar tal pequena! Se é incapaz de enxergar nela a busca dos teus anseios e vejo, sem ao menos conhecê-lo, que não será capaz de enxergar isso em qualquer outra mulher, pois você não se sente homem. Talvez o teu pau seja pequeno, talvez sejas impotente. Mas não dissimule assim a não amá-la, tolo. Pois a ama. 

Filho da puta, você é responsável por aquilo que cativas, portanto, se deixaste florescer nela o tesão, o âmago, a vontade, sem ser ela louca imprudente, já que você prometeu a ela, cumpra! Faça o teu papel de homem. E não dissimule mais a quem já dissimulou. Não prometa coisas que este teu falo não possa cumprir. Não ponha o teu sêmen em jogo, se és incapaz de ejaculá-lo. Não diga orgasmos, não faça sexo verbal com uma mulher que não poderá te pertencer. 

Você é fraco. Frouxo. Não deveria ter prometido a ela amor, se és incapaz de senti-lo por si mesmo. É tão mais fácil confiar em uma puta do que em você. A honestidade da puta em pedir dinheiro em retorno desfalece com a tua honestidade prepotente, incompetente. 

Estupidez dela ou não, o sentimento perdura, tanto em ti quanto nela. O que te espera do mundo? Alguém aplaudir tuas covardias ou dar-te um mérito com a tua fragilidade? A tua pedância morre com as minhas palavras. A tua pose desfalece, a tua máscara cai, pois te desmascaro. Deixa-te pensar que tem o controle das tuas escolhas, do teu sentimento, mas você não acredita nisso. E pensa nela ainda, imagina as coisas que dirá a ela. Fuja, corra, mas morra engasgado com os beijos na boca dela com o veneno que você propôs. E entenda de uma vez por todas que perdestes a oportunidade de viver, finalmente, longe da tua existência insignificante. 

"If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won"

If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won. If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won. If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won. If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won. If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won. If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won. If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won. If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won. If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won. If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won. If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won. If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won. If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won. If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won. If I only had an enemy bigger than my apathy I could have won. 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pinte o céu na minha varanda

Essa noite sonhei como se sonhasse um filme de realismo fantástico. "A Espuma dos Dias" de Boris Vian que não conseguirei ler por falta de grana. Eis que o cenário desdobrava-se assim, com relatos irei a medida que lembrar deles, portanto, talvez essa descrição saia tão incoerente e irreal quanto o sonho. Tentarei deixá-lo palpável e distante, a meu próprio gosto, pois fodam-se os inebriados a quem interessados lerem. Também ao fato de que, literalmente, saltei do sonho para vir contá-lo como a tola contadora de histórias que sou. 

Estava calor, era o Rio de Janeiro, porém, longe de qualquer lugar onde já estive por lá. Festa de família, todos eles. Lugar aberto, como uma casa velha de madeira encanecida de piso frouxo e nada confiável. A mais parecia um bar rústico e na minha memória agora, não no sonho exatamente, acrescentaria umas luzes de Natal sobre a televisão e o aparelho de som em cima do balcão. Havia calabresa frita para comermos e a medida do sonho, não conseguia de jeito algum comê-la. Portanto, tirei da boca e comecei a parti-la em miúdos pedaços nostálgicos, como um passarinho solitário, e finalmente consegui comer o tal pedaço de comida. 

Chegaram alguns conhecidos da família. Dentre eles, uma criança que veio logo procurar por um afeto, um colo meu. Dei-lhe o tal colo, mas era um colo pesado, pois o peso da criança derrubou-me frágil no chão. Fui repreendida pelo colo, como se errado fosse dar-lhe carinho. Portanto, deixei-a sentada em meu colo. Mas a criança fugiu dele. 

Fui bebendo coragem o sonho inteiro para distanciar-me da família e sair daquele bar/casa. E em frente a este lugar havia uma grande igreja católica, da qual iria aventurar-me a tirar uma fotografia, mas me coube apenas olhá-la. Na rua, alguns fardados que aos poucos iam deformando-se, mas não de maneira grotesca ou repugnante, mas como formas bonitas que iam se transformando num quadro ao pôr-do-sol. Era pôr-do-sol, mas logo tornara-se noite. 

Com a noite tecida despontavam luas de todas as formas ao mesmo tempo, desenhadas num céu pintado. E uma enorme árvore crescia como se para ser fotografada junto às luas a quem eu dei minha total atenção artística. E dentre isso, era Natal e a decoração tomava a forma sangrenta. Talvez uma referência a um filme que assisti recentemente. Eu mesma, no sonho, vim a dizer que era a lua sangrenta.

Fui a praia. E encontrei, como uma gravação, um casal. Fui voyeur dos dois, tentando fotografá-los, mais do que filmá-los como uma lembrança que não é inerte, que se move. Queria-os imóveis, pegos num momento singular, sem que se perdessem entre as ondas do mar. E o homem, ajoelhado, beijava os joelhos daquela mulher que não tinha um rosto, mas eles se entrelaçaram e, de pronto, confundi-me naquela casal, naquela mulher sem nome. 

Eles se perderam nas ondas do mar, talvez junto ao sonho que foi terminando a medida que eu caminhava de volta pra casa, onde ninguém nem notara que eu havia desaparecido ou ao menos me tornado uma outra pessoa. Eu seria sempre aquela garota, daquele lugar. 

vienna billy joel

slow down, you crazy child.
you're so ambitious for a juvenile.
but then if you're so smart, tell me why are you still so afraid?
where's the fire? what's the hurry about?
you better cool it off before you burn it out.
you got so much to do and only so many hours in a day.

don't you know that when the truth is told
that you can get what you want or you can just get old?
you're gonna kick off before you even get halfway through.
when will you realize? vienna waits for you

slow down, you're doing fine.
you can't be everything you wanna be before your time,
although it's so romantic on the borderline tonight, tonight.
too bad, but it's the life you lead.
you're so ahead of yourself that you forgot what you need.
though you can see when you're wrong,
you know, you can't always see when you're right, you're right.

you've got your passion.
you've got your pride,
but don't you know that only fools are satisfied?
dream on, but don't imagine they'll all come true.
when will you realize? vienna waits for you

slow down, you crazy child.
take the phone off the hook and disappear for a while.
it's all right you can afford to lose a day or two.
when will you realize? vienna waits for you

don't you know that when the truth is told
that you can get what you want or you can just get old?
you're gonna kick off before you even get halfway through.
why don't you realize? vienna waits for you
when will you realize? vienna waits for you

quinta-feira, 25 de julho de 2013

o mundo se afasta do mundo

Se o mundo se afasta de nós, eu, certamente, me aproximo do mundo. Na visão conturbada e desvairada de uma crescente sede de vida, escuto risos através dos timbres da louça, dos calcanhares batendo nas quinas das mesas, das inclinações inócuas do horizonte, enquanto desfalece uma manhã ou uma noite. Eu procuro me inflar da posse de ser uma humana comum, como todos aqueles outros, no meio daquelas pessoas. Embora todos os meus pensamentos estejam centrados em mim, no que me importa e eu me distraia, constantemente, tento me aproximar do mundo e sê-lo, possuí-lo, compreendê-lo. 

Eu sei qual é o caminho pra casa. E sei que a solidão assola quem me espera por lá. Mas eu não posso deixar de sentir o mundo a minha volta e sentir que ele chama um nome que não é meu, embora seja. Eu preciso disso, embora não precise e nem acredite em nada... Só me resta ser, ao não ser nada.

Aprender o jogo de Narciso, de Édipo, de Freud, de Pandora. O longo aprendizado que é levado através do corpo, mas especialmente da mente. Levar-me, então, é a tarefa árdua de ser. Pois o ser é inerte, mas o movimento é mutável a uma constante, até que seja freado. Me frear talvez tenha sido um dos erros daquele único que me chama de mulher. Ainda que ouse apenas pela distância coisas enormes e promessas, desejos, não o impede de não ser confiável. Não o impede de ser infiel tanto a si quanto a mim, que não acredita ou apenas não gosta de acreditar. Não sei se por conforto ou por costume de mentir. Ou de ser tão lúcida quanto a verdade de apenas sentir.

Tão lúcida quanto minha própria inabilidade de entender minha própria lucidez cega. 

terça-feira, 23 de julho de 2013

nós amamos estar infelizes

Não direi, pois não é assim que eu penso. Poderia ter dito, porque dissimulo com naturalidade e com certa frequência. Mas a essa eu não poderia ter dito e fiz bem em não dizer. Ao menos ainda não me arrependi de não tê-lo dito. Sabe. A felicidade é algo tão frágil. Ou talvez todas as emoções sejam.

Venho refletindo a vida esses dias, sem o auxílio de livros concentrados de filosofias existenciais ou frases estimulantes ao intelecto cada vez mais recheado de depressões, neuroses e pânicos.

E a cada dia que passa eu só penso que deveria ler mais estes tais livros, sentir meu paladar gozando com os prazeres das comidas e dos cafés, ficar sozinha e assistir filmes, aprender física! Química, quiçá. Mas acabo por apenas pensar em fazer tais coisas que eu deveria estar fazendo, pois sou inerte. Não consigo me mover, consigo apenas escrever e desenvolver uma tendinite aguda. E me corresponder com as minhas loucuras reais (ou imaginárias) esperando ansiosa por suas respostas. Eu as amo demais! E talvez apenas venha a amá-las em vida. 

Tenho descoberto sentimentos horríveis em mim mesma e ainda assim estes não me desagradam, o que me remete a essa indiferença terrível e má. Cruelmente má. Deliciosamente má. Indiferença tão perigosa que me excita. Eu só quero viajar, fumar quantos cigarros eu quiser, dar pra todos os caras que eu quiser, ler uns livros, escrever em cadernos, em toadas dos livros de Nietzsche, beijar estranhos e rir numa língua diferente. Não sei, eu tenho toda essa sede e todos esses baldes d'água que não são suficiente. Nunca sou o suficiente.

Ainda não estou pronta para os discursos da vida. Mas sei que do modo como minha humanidade está caminhando, eu me distanciarei ao máximo da sociabilidade proposta. Me exilar em canções, sambas, talvez, gostos diferentes, livros, descobertas. Usar da obrigação uma paixão de descobrir... Embora eu seja tão distraída constantemente pela minha ansiedade. Veremos onde minha criatividade me leva... se é que me levará a algum lugar. 

you can't paint an elephant quite as good as him



a alma descola do osso

o osso descola da alma
a alma descola do osso
o osso descola da carne
o músculo contrai
espasmo da carne
espasmo na alma
espasmo no osso
alma descolada do osso
osso descolado da carne
alma descolada da carne
carne descolada da alma
grudar-se de novo
só à flor da pele

domingo, 21 de julho de 2013

devolva a minha vida

e morra afogada em seu próprio mar de fel
aqui ninguém vai pro céu

encontro duas nuvens em cada escombro, em cada esquina
me dê um gole de vida

(criolo)

eu através de um relato teu

"Ela ficou me olhando. A música tremulava, os gritos através das caixas de som ecoavam pouco dentro dos meus ouvidos surdos que apenas escutavam os gritos delas. Ela tava em cima de mim, não tinha como não escutá-la. Aqueles ojos rasgados manchados de preto, aqueles ojos demoníacos que me engoliam cada vez que ela esquecia as letras da música e a única coisa que podia fazer era crispar os lábios e olvidar-se de mim. Mesmo que estivesse em cima de mim, com as pernas enroladas nas minhas coxas, ela sempre foi capaz de me esquecer estando por perto. Longe, tão mais. Quase não se recorda de mim, não sei porque ela faz isso. Talvez eu me sofra um pouco pensando nela, mas ela não teria o direito de não sofrer tanto por não pensar em mim!

Não me esqueceria quando Queen ficou na tua boca o dia inteiro, eu e o Freddie Mercury dividindo uma mesma mulher. Mas sempre digo que fizeste aquele teatro todo pra que eu me apaixonasse por você e você não se apaixonasse por mim. Compreendo que ame esse outro cara. As tuas primeiras constelações. Te ponho a dispor desse direito, entretanto, quando estiveres comigo, esteja comigo! E não me canse dos teus teatros jamais! Nunca destes teus ojos. Tão poucos dos teus lábios. Só tente esquecê-lo por um segundo do teu corpo quando eu estiver na tua pele. Depois você pode voltar a ser quem és. Aquela que nunca acena de volta se me encontrares na rua."

sábado, 20 de julho de 2013

eargasms of this marvelous fucking lonely night

each morning I get up I die a little 
can barely stand on my feet 
(take a look at yourself) 
take a look in the mirror and cry 
Lord, what you're doing to me 
i have spent all my years in believing you 
but I just can't get no relief Lord
can anybody find me somebody to love?







someday you will find me
caught beneath the landslide
in a champagne supernova in the sky

desafinados

Tirei uma fotografia de ti. E não me atrevo a vê-la mais... afinal, teus olhos amarelejados sempre me lembraram as constelações. Quando você me ensinava o nome delas e suas posições, embora eu nunca me lembre o nome de nenhuma e tão menos a sua posição. Mas é claro que eu me lembro de como Champagne Supernova ficava na nossa boca o tempo inteiro. Eu, na sua boca. Eu, o seu cigarro, astronomia e Champagne Supernova

Finquei minhas vontades na tua pele com as unhas, com a saudade de atravessar meus dedos nos teus cabelos debaixo daquela tua coberta anti-alérgica. Hoje, sem você, sacio minhas vontades em estranhos, dentre eles colegas de sala ou apenas estranhos que me acham obscura, e por apenas isso, sexy e inteligente. Só que eu sou a única que parece sacar que todos esses rapazes são uma farsa! 

Eu só conseguia pensar nas estrelas imaculadas, enquanto fodia sem querer com aqueles outros meninos. Não poderia pensar, jamais, que você teria tido tanta graça e leveza em não se apaixonar por mim como a que eu tive no medo de não me apaixonar por você. Embora tenhamos nos amado tanto entre uns livros desbotados de Nietzsche, filmes do Terrence Malick, bad trips, primeiras vezes, sangue e tudo o mais a que teríamos direito por sermos apenas quem éramos. 

Por ser quem fomos. Responsáveis por aquilo que cativamos. Presos à obsessão complexa e aniquiladora do âmago mútuo, cobertos de merda até as raízes mais remotas da existência, cientes de toda patologia envolvida quando os corpos rasgados de terror superam a raiva e sussurram para um outro corpo coberto de carne, por cima dos ossos, cheios de sangue, que o amam. Que o desejam. Como a benção de um deus humano, maligno e maquiavélico, como se a melodia rasgada e corrosiva doesse nas unhas que atravessam a sua pele. Você, na minha pele. 

Mas eu tive que te deixar ir, não pude ser tirana o suficiente para não compreender as minhas próprias razões. Não consegui ser cínica, não consegui herdar o teu cinismo! O único amor que não me deixou a beira do desespero. A beira daquele velho discurso que apenas você conhece, porque com você eu tinha a certeza de que nunca chegaria a escrevê-lo ou discursá-lo. 

Era você.
Sei lá, de uma forma, sempre foi você. 

Mesmo que não seja você, nunca e de modo algum. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

vambora

entre por essa porta agora
e diga que me adora
você tem meia hora
pra mudar a minha vida
vem, vambora
que o que você demora
é o que o tempo leva...

ainda tem o seu perfume
pela casa
ainda tem você na sala
porque meu coração dispara?
quando tem o seu cheiro
dentro de um livro
dentro da noite veloz...

ainda tem o seu perfume
pela casa
ainda tem você na sala
porque meu coração dispara?
quando tem o seu cheiro
dentro de um livro
na cinza das horas...

(adriana calcanhotto)

ouse conquistar a ti mesmo

"eu sou vários. há multidões em mim. 
na mesa de minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles
há um velho, uma criança, um sábio, um tolo. 
você nunca saberá com quem está sentado 
ou quanto tempo permanecerá com cada um de mim. 
mas prometo que, se nos sentarmos à mesa, nesse ritual sagrado
eu lhe entregarei ao menos um dos tantos que sou, 
e correrei os riscos de estarmos juntos no mesmo plano

desde logo, evite ilusões: também tenho um lado mau, 
ruim, que tento manter preso 
e que quando se solta me envergonha
não sou santo, nem exemplo, infelizmente
entre tantos, um dia me descubro, um dia serei eu mesmo, definitivamente
como já foi dito: ouse conquistar a ti mesmo."

daddy nietzsche

quarta-feira, 17 de julho de 2013

o bêbado e as equilibristas

Seu nome não era Carlitos e não nos interessava seu nome, tampouco olhar aqueles olhos cansados e devoradores de virgens. E o timbre de sua voz, repugnante, impondo sua presença asquerosa dentro de nós para que ecoasse suas palavras maliciosas e ecoavam, dentro do esôfago, por todo o café, dentro de todas as pinturas penduradas de Van Gogh que pareciam estremecer e regurgitar pensando nas intenções daquele que não lembrava-nos Carlitos.

Ofereceu-nos propina, dinheiro, coçou o saco como se possuísse um membro rígido dentro das calças, como se o incomodasse alguma ereção que provocávamos sem intenção alguma. E sem intenção fazia-se crime, cumpríamos pena, reduzida, mas ainda assim cumpríamos.

E a comida, o café, os queijos que tínhamos imaginado macios, que derretessem em nossa boca com um delicioso gosto de conforto e sem nata alguma, mas é isso que sentíamos: queijo com gosto de nata, com gosto de gozo masculino e a fétida impressão do estupro.

Só viemos a respondê-lo quando já não podíamos mais ignorá-lo; não podíamos mais evitar querer gritar também com ele, vociferar para ele agressões como se fossemos todos os animais e vivêssemos presentes nessa morte constante pra alimentar os ricos e servir aos cães e porcos.

As equilibristas a brigar com o bêbado, jogando saliva ao vento, deixando que os lábios encontrassem algum jeito de evitar contato, quando ele impunha a nós não só os lábios, mas a sua nebulosidade, suas palavras e gestos que eram características de um infeliz traído que tinha o pau mole e dizia o contrário.

Era rico, dizia, mas se parecia com a menos rica das pessoas daquele lugar, daquele subúrbio e daquele sorriso pérfido que mal durava nos lábios por cambalear entre os cantos da boca e dos olhos que não sei de que cor era e nem poderia saber.

Sabíamos o que não dizer e contávamos que poderíamos ser feliz, pois eu amava um cara que não vinha nunca, mas me desejava com certo amor e eu o amava e dizia e falava e contava que amava para apenas um  único amor conseguir amar. Ela amava e era amada, da maneira doce que falava e olhava e era insegura, mas era mulher, coisa melhor do que eu ou talvez pior e eu não soubesse notar. Mas a gente tentava se notar no meio daquele impropério, como todas as dificuldades de duas equilibristas.

Segurávamos a mão uma da outra, que bom que você não riu de mim enquanto eu nos defendia porque sabe ele era um idiota de pau pequeno. Eu pensei em rir mas vi que era uma coisa séria então fiquei quieta era problema de corno você não viu? Desculpe meu caro mas só falo com caras de pau grande. Cala a boca porque a única coisa que você vai comer hoje é esse sanduiche. 

E ríamos. O caminho inteiro ou foi assim que me pareceu. E quando pegávamos ônibus e contávamos com a ausência daqueles oportunistas para não contarmos amor e paixão à ninguém, pois pertencia à nós os olhos daqueles que não diziam, mas amávamos. Ou eu amava, por não saber apenas desejar. Você desejava, por não saber amar. E assim, bebíamos, cantávamos, dormíamos e amávamos para não ter que enfrentar a corda bamba da realidade. 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

a carne chama colada no osso

tô com mania de misturar as línguas. De manhã, vai do italiano ao francês na facilidade da língua. Às vezes repito com Humbert "lo-li-ta" só pelo prazer das três viagens com a língua. Descobri hoje a origem da palavra ansiedade. Vem do alemão angst. Do grego antigo ao latim, angor. Angor procedeu a palavra egípcia ankh, que significa a primeira tomada de ar do bebê. A ansiedade estava relacionada à respiração — ou à falta dela, desde a raiz mais remota. 

Minhas raízes remotas estão relacionadas ao amor. Conto amor desde a primeira falta de ar, desde o primeiro fôlego... amor, talvez isso convença que não existe justiça no mundo. Eu sempre soube que não existia. Talvez se conhecessem meus âmagos pândegos desde as raízes mais remotas, como o significado de um nome, as origens da palavra, entendessem porque me condeno tanto. Embora eu não me condene mais. Sinto que nas invasões de privacidade que cometo, deixo parte minha nas lacunas dos equívocos provocados. Sou feita de amor equivocado... de amor inventado, de amor provocado. Mas é tão bom inventar amor se você não é capaz de senti-lo por qualquer pessoa. Se ele é reservado apenas a quem não é perturbado assim como você. Embora o fenômeno da ipseidade nos mantenha vazios, pois não há ninguém como nós. Há esses miúdos equívocos que ocupam corpos atraentes. É bom atender aos seus desejos, aprender outras línguas. Mas pouco me atiro nessa tentação, pouco deixo que me consuma, pois há muito só quis um beijo a experimentar. Um único a salvar a revolução sangrenta. O enigma a ser solucionado me obriga a manter segredo. 

Uma vez, numa dessas viagens linguísticas, numa das aulas de inglês que eu fazia, perguntávamos do que mais nos havíamos arrependido em vida. "I said: the lies" E acho que aquele bando de estranhos vislumbraram em mim o clímax, a ponta de excitação... reconheceram mistério, aquele segredo que eu nunca conto, aquela desconfiança. O tal do pé atrás. 

Sei não, mas está chegando o momento chave do tropeço. O momento tenso do fechar de cortinas... como se os anos despontassem apenas a vontade de ser amante viva. Deixar de escolher parceiros cegos para os jogos. Arranjar inimigos à altura, como diria Ana. Mas a carne chama colada no osso.

"escuta aqui, sua maluca"

"metade exilada de mim, leva os teus sinais.
 é assim como a fisgada
num membro que já perdi"
...mas a ligação não se completa. Fica caindo na caixa postal e às vezes quando agarro o adoçante e sinto a doçura corroendo os dedos amargos... tento chupar a ponta dos dedos pra ver se cura, pra ver se passa. Eu sabia que isso provavelmente  ocorreria. Mas não me importa você estar nos Alpes Suíços! sei lá, ando muito minha ultimamente, pra aprender que ter saudades é algo saudável. É que gostei muito de ler-te de novo, gostei tanto que respondi só pra te provocar. Só pra você ver que eu tava de sacanagem, porque "você é tão sacana que me cansa".

Eu sou tão sacana que me cansa... é verdade. Mas por que estão todos vocês voltando pra dentro de mim? Desculpe-me, na verdade, não é como se vocês tivessem ido alguma vez. Eu que mandei vocês embora. Acho mesmo que quando me esqueci de vocês, foram sentindo a perda da locação, voltaram pra reivindicar propriedade. São mesmo uns filhos da puta, sabia? Só que eu tanto aprendi a ser. Eu me lembro de você dizer que eu tinha potencial de "biggest bitch of the fucking century" ou era "the biggest bitch of the fucking city", me lembro também daquela vez que escrevi de vocês e sentiu-se eternamente ultrajado, pois o Charles sempre foi mais legal que o Antoine. Embora o Antoine fosse baseado no David Thewlis que é, obviamente, mais bonito que o Bukowski e que pegava a Anna Faris. Mas você sempre quis ser o Gary Oldman, mas esse tinha potencial de "the best fuck ever" e desculpa, mas eu não tava disposta a arriscar fuck nenhuma contigo. Mas quem sabe se você tentar de novo, mas antes, atende a merda do telefone!

Eu descobri o Miguel Fonseca...
e você tinha razão...

tô te esperando pra discutir sobre a vã filosofia,
daddy.

Com amor, 
mommy.